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Chamada convoca mulheres para debate em prévia do Fórum Social

Chamada convoca mulheres para debate em prévia do Fórum Social

Na prévia do Fórum Social do Mercosul – Chamada Geral pela Integração Latino-Americana – a questão de gênero vai reunir entre 5 e 7 de julho em Curitiba algumas das principais entidades e representantes da condição feminina do país e da América Latina. Márcia Campos Pereira, presidente da Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM), vai coordenar os debates que terá ainda na coordenação: Alzimara Bacellar, da Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), Eliane Nazaré Oliveira e Dra. Clair da Flora Martins, do Conselho Estadual da Mulher.

Márcia Pereira afirma que os debates sobre a condição feminina estão ganhando destaque no cenário mundial. “O centro das discussões gira em torno da inserção feminina no mercado de trabalho, atendendo as necessidades da mulher, tais como creches, escolas e atendimento à saúde”. Márcia ressalta ainda a importância da construção da unidade entre homens e mulheres em torno da luta por políticas públicas. “O homem não é nosso inimigo. É um parceiro que soma na luta contra as desigualdades”.

Alzimara Bacellar, da CMB, destaca os avanços da legislação sobre as questões de gênero no país e a importância das mulheres brasileiras na conquista de direitos para toda a América Latina: “A Confederação das Mulheres do Brasil tem atuado de forma a garantir direitos, e dar sugestões para a elaboração de políticas públicas específicas para as questões de gênero em nível municipal, estadual e federal. Esse exemplo, a confederação pode levar nas discussões que serão levadas na chamada geral e no próprio fórum”.

Eliane Nazaré de Oliveira, do Conselho Estadual da Mulher, aponta estatísticas que demonstram que apesar de serem a maioria da população no país (51%) as mulheres são as “mais pobres”, especialmente as mulheres da raça negra, o que deve ocorrer em todo o continente latino-americano. A demanda só é atendida a partir da implantação de políticas públicas que “desnudam” as relações sociais de preconceito. O Paraná, segundo ela, mais uma vez, serve de modelo a outros estados e países.

“O Governo do Paraná levantou as comunidades quilombolas no Paraná e, a partir disso, descobrimos níveis de demandas antes desconhecidas, como, por exemplo, a existência de locais onde os ônibus que transportavam as crianças brancas não levavam as crianças negras, ou de segregação dentro do próprio ônibus, quando as crianças negras sentavam na poltrona de um lado e as crianças  brancas de outro”.

Clair da Flora Martins, ex-deputada federal e advogada trabalhista, aponta a necessidade de contemplar a questão de gênero na política institucional. “Precisamos construir políticas afirmativas que garantam a destinação de parte do fundo partidário para a fomentação de candidaturas femininas e a obrigação da destinação de horário político na TV em igual proporção aos dos homens, assim como o financiamento público de campanha. Se avançarmos nessa questão agora na reforma política em curso no Congresso Nacional, o Brasil pode se tornar exemplo para outros paises da América Latina”.

Clair Martins também destaca a necessidade ainda da valorização do trabalho das donas de casa, que contribuem para o Produto Interno do País, mas não recebem remuneração por isso: “Precisamos lutar pela aposentadoria das donas de casa, já que são elas que permitem que os homens possam trabalhar fora. Estas mulheres, muitas vezes, trabalham a vida inteira e depois não tem uma renda garantida”.

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