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Carta de Maurício Requião com pedido de expulsão de Stephanes Júnior

Ao Diretório Estadual do PMDB/PR
Presidente: Renato Adur
Com conhecimento do Diretório Municipal do PMDB/PR
Presidente: Doático Santos

Curitiba 31 de maio de 2007,

Prezados, 

Um partido só se constrói com unidade, disciplina, coerência com a sua história política e com os compromissos assumidos nas disputas eleitorais. Esta é a trajetória do PMDB do Paraná e que marca a nossa diferença em relação aos demais partidos que compõem o espectro político estadual.

As posições, a atuação política e ação de governo – notadamente de esquerda, desenvolvimentista, de combate ao neoliberalismo – são extremamente bem avaliadas pela população paranaense, que consagrou sucessivas vitórias ao PMDB do Paraná nas câmaras de vereadores, prefeituras, Assembléia Legislativa, nas 30 cadeiras na Câmara dos Deputados, e no comando do Governo do Estado.

A força política do PMDB – junto com a militância, seus principais quadros e lideranças – constrange e medra os conservadores que, embora em minoria no Paraná, constituíram poder econômico através da dilapidação do patrimônio público e da usura do Estado aos seus interesses.

Volte e meia, como astutos camaleões, integrantes do conservadorismo de direita buscam agasalho no PMDB, em busca de vitórias eleitorais. Mas passadas as eleições, a sua natureza conservadora revela-se indomável e estes setores e personalidades viajantes acabam por trair o Partido, o seu programa e o seu governo.

Esse é o caso do deputado estadual Reinhold Stephanes Júnior. O referido deputado foi eleito com 37.955 votos. Ou seja, foi eleito pelo PMDB, com os votos do Partido, pois os votos que conseguiu sozinho não foram suficientes para a sua eleição. Ele teve sua vaga assegurada pelos 100.783 votos de legenda e por 1.464.314 votos que os outros 47 candidatos a deputado estadual do PMDB receberam na última eleição. Desde os 131.988 votos de Alexandre Curi até 120 votos de Rosane Elias somaram para assegurar-lhe a vaga. Foi com a força do PMDB, portanto, que Stephanes Júnior se elegeu deputado estadual.

Eleito, Stephanes Júnior volta-se contra o partido, suas lideranças e integrantes do seu governo. Constrangeu o Partido, o Governo e o Paraná ao apoiar Ney Leprevost (PP) no requerimento que declarou o presidente da Venezuela persona non grata no Estado. Tratou-se aquele ato de um gesto teatral de grosseria contra um mandatário legítimo de um país irmão e com o qual empresários e órgãos públicos do Paraná mantém as melhores relações de cooperação em favor do Paraná e do Brasil. Constrangeu o PT do Paraná, que integra o nosso governo e o governo federal, ao apontar que o partido é mais corrupto da história brasileira e recuou porque, em seguida, seu pai fora convidado para compor o ministério do governo petista. Constrangeu o PMDB ao apresentar moção de apoio ao vereador Paulo Salamuni (PV) que faz ataques diretos ao governador Roberto Requião.

Stephanes continua a constranger, a desrespeitar o partido ao não seguir a orientação das lideranças do PMDB e do governo nas votações de requerimentos – de uso político – apresentados pelos adversários do nosso governo na Assembléia Legislativa. Dessa forma, Stephanes Júnior se alinha ao mesmo grupo que produziu o maior desmonte que Estado teve nas últimas décadas e que agora ataca e tenta desqualificar os avanços e as conquistas sociais alcançados pelo Paraná nos últimos quatro anos e cinco meses. Politicamente, Stephanes Junior está ao lado dos adversários do PMDB e dos inimigos do povo.

A postura atual de Stephanes Júnior é coerente com sua história e contraditória com a história e o projeto do PMDB. Somos, Stephanes Junior e o PMDB do Paraná, feitos de matérias primas diferentes, visões diferentes, compromissos diferentes. O deputado – que sempre esteve ao lado de grupos conservadores e de direita – faz declarações e ilações na imprensa contra integrantes do governo Requião que não coadunam com o estatuto do partido. Disse textualmente que não se sente bem no PMDB, que não tem “nenhum pedido atendido pelo governo” que não tem “cargos” e que está “no PMDB por causa do pai”.

É por essas situações e posições sistemáticas – contrárias ao PMDB, ao governo Requião -, pelo desconforto que o deputado açodadamente assume em relação ao partido, suas lideranças e militância, que peço sua expulsão, seu desligamento dos quadros do PMDB, que nunca foi de fato o partido de Stephanes Júnior. O deputado deve continuar a trilhar o seu caminho junto aos conservadores, aos neoliberais, junto àqueles que consideram a conquista de um governo como uma catapulta aos interesses do lucro desenfreado, a sanha de poucos, em detrimento à busca da igualdade como premissa básica da existência humana. E deve fazê-lo sem o constrangimento que a filiação ao PMDB lhe impõe. Já o PMDB do Paraná estará melhor sem o deputado Stephanes Junior.

Assinado pelo membro do partido Maurício Requião de Mello e Silva.

Maurício Requião de Mello e Silva

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