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Bolsonaristas do Paraná decidem ficar no PSL pensando nas Eleições desse ano

Dos oito deputados estaduais do PSL do Paraná, ao menos metade está de olho nas eleições de outubro próximo e não pretende deixar a sigla, apesar da saída do presidente Jair Bolsonaro, no fim do ano passado. Com a possibilidade de a legenda “Aliança pelo Brasil” não ser criada a tempo para entrar na disputa eleitoral de 2020, interessados no pleito não devem arriscar uma desfiliação, ainda que tenham relação próxima com as bandeiras bolsonaristas. O caso mais emblemático é o do deputado estadual Delegado Francischini, que coordenou a campanha de Bolsonaro no Paraná em 2018, mas que já avisou que continuará no PSL para manter sua pré-candidatura à prefeitura de Curitiba. As informações são de Catarina Scortecci na Gazeta do Povo.

“[A prefeitura de Curitiba] é um projeto de oito anos. É muito risco sair agora para um partido que tem poucas chances de sair antes da eleição e eu ficar sem legenda para concorrer”, admitiu Francischini em entrevista à Gazeta do Povo, nesta quarta-feira (22), durante seu percurso a pé pelo bairro Cajuru. “Estamos andando já, na pré-campanha. Hoje estou fazendo o Cajuru. Vendo os pontos que têm mais problema”, contou ele.

Francischini avalia que o rompimento de Bolsonaro com Luciano Bivar, atual presidente do PSL, foi “muito ruim”, mas que não tem como deixar de apoiar o ex-correligionário. “Eu tentei até a última hora fazer a tentativa de apaziguamento. Não foi possível, infelizmente. Mas tenho com o Bolsonaro uma ligação de princípios e valores, de combate ao PT, combate à corrupção. Não tem por que deixar a briga partidária influenciar no projeto que ajudamos a construir e que confiamos. Seria mesquinho deixar de apoiar o governo Bolsonaro em função da separação do PSL e do presidente”, disse o parlamentar, que desde o início do ano é o secretário nacional do PSL.

“As duas candidaturas prioritárias hoje para o PSL são a minha em Curitiba e a da deputada federal Joice Hasselmann em São Paulo. O PSL já informou que vai jogar toda a estrutura partidária, todas as fichas, na minha candidatura e na da Joice”, antecipou ele.

Na Assembleia Legislativa, além de Francischini, o PSL vai tentar eleger os deputados estaduais Ricardo Arruda para a prefeitura de São José dos Pinhais; Delegado Fernando para a prefeitura de Umuarama; e Emerson Bacil para a prefeitura de São Mateus do Sul. Outros integrantes da bancada do PSL ainda avaliam se vão migrar para o futuro Aliança pelo Brasil.

“Reclamação de jovem, né?”, diz Francischini sobre episódio com filho

Assim como Bolsonaro, Francischini saiu recentemente da Câmara Federal. Ele foi deputado federal por dois mandatos, de 2010 a 2018. No último pleito, já de olho na prefeitura de Curitiba, resolveu disputar uma cadeira de deputado estadual, e se tornou o mais votado da história da Assembleia Legislativa. Ao mesmo tempo, em 2018, o então deputado estadual Felipe Francischini (PSL), filho de Francischini, conquistou uma cadeira de deputado federal, e seguiu para Brasília. Assim como o pai, Felipe permanece no PSL, legenda que o sustenta no comando do principal colegiado permanente da Câmara Federal, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Em outubro de 2019, Felipe também figurou em um dos capítulos da série de atritos que culminou com a desfiliação de Bolsonaro, no mês seguinte. Já na presidência da CCJ, ele foi gravado criticando duramente a relação da bancada com o governo Bolsonaro, durante uma reunião do PSL – “A gente foi tratado que nem cachorro desde que ele ganhou a eleição. Nunca atendeu em porra nenhuma”.

“Era uma reclamação em uma reunião interna dos deputados. É próprio do jovem, né? De 27, 28 anos de idade. Mas ele já teve com Bolsonaro depois, já pediu as desculpas dele por ter falado alguns termos que ele não devia”, justificou o pai.

Apesar do episódio, Francischini reforça que Felipe, à frente da CCJ, tem colaborado com o governo Bolsonaro. “Depois desta gravação, ele conduziu junto com o governo a aprovação na CCJ do pacote anticrime do Sergio Moro. Barrou convocações do Paulo Guedes. Projetos que eram para atrapalhar o governo, mexer na estrutura do governo, ele nem pautou. Não aceitou politizar contra o governo”, continuou Francischini.

“Ratinho é hoje o principal cabo eleitoral no Paraná”

O presidente Bolsonaro já sinalizou que, na prática, não pretende apoiar nomes em 2020 que não estejam entre os filiados do Aliança pelo Brasil. “Se meu partido não tiver candidato, não vou me meter em política municipal no corrente ano, ponto final”, afirmou o chefe do Planalto, no último dia 15. Para participar das eleições de outubro, o partido capitaneado por Bolsonaro precisa do apoio de 492 mil assinaturas até abril. Depois, a Justiça Eleitoral ainda precisa checar as assinaturas para conceder ou não o registro.

Questionado sobre se contaria com o apoio de Bolsonaro na disputa da capital paranaense, Francischini responde que “o grande cabo eleitoral no Paraná hoje é o Ratinho Junior”. “Em segundo lugar, vem Sergio Moro. Em terceiro lugar, o Jair Bolsonaro. São os três grandes apoiadores. Eu não abriria mão do apoio de nenhum dos três porque defendo os mesmos princípios e valores. Mas eu não vou forçar nada. Eu tenho que mostrar para a população que tenho condição técnica de ser prefeito”, disse ele, já em tom de campanha.

Governador do Paraná pelo PSD, Carlos Massa Ratinho Junior tem relação estreita com Francischini. Na Assembleia Legislativa, a maior bancada é a do PSL, legenda que integra a base aliada. Por lá, Francischini também comanda a CCJ. O PSD, contudo, já tem um pré-candidato à prefeitura de Curitiba, o deputado federal licenciado Ney Leprevost, secretário na gestão Ratinho Junior. Nas eleições de 2016, Leprevost disputou o segundo turno com Rafael Greca (DEM), hoje pré-candidato à reeleição.”

 

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