por 08:40 Foz do Iguaçu, Política

Acifi se esquiva sobre auxílio no combate ao coronavírus

Ao responder a Câmara de Vereadores sobre as ações em auxílio no combate ao coronavírus em Foz do Iguaçu, a Acifi preferiu se esquivar ao esclarecer. Em poucas linhas, a associação comercial disse que é uma “entidade de direito privado ” e que tem “por obrigação a prestação de contas apenas aos associados ativos, sejam eles os fundadores, beneméritos, efetivos ou entidades congêneres”, diz a carta assinada pelo presidente, o dentista Faisal Ismail, e pelo presidente do conselho superior, o empresário Walter Venson.

Essa é a resposta ao requerimento da vereadora Anice Gazzaoui (PL), aprovado pelos demais vereadores iguaçuenses, que pediu “informações e explicações acerca das ações empreendidas pela entidade para ajudar no combate ao coronavírus”.

A Acifi coordena uma campanha de entrega de kit do chamado tratamento precoce, condenado por autoridades sanitárias, e já arrecadou R$ 1,5 milhão, o que pode comprar 30 mil doses de vacina contra a covid-19. Na sua resposta, a associação sugere a vereadora “ou qualquer vereador” que agende uma visita e “que todas as ações e projetos empreendidos são divulgados nos canais de comunicação” da entidade.

Cadê? – No seu requerimento, a vereadora pede que “sejam disponibilizadas as informações referentes à compra e doação de máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção individual (EPIs) que ajudem os hospitais da cidade, tais como respiradores, macas e outros de suporte”.

A miopia da Acifi contrapõe-se às ações do setor produtivo em auxílio ao combate da pandemia. As cooperativas do oeste, por exemplo, doaram 37 ventiladores aos hospitais da região. Cada ventilador custa R$ 50 mil, o que representa R$ 1.850.000,00.  Outras entidades já doaram máscaras, álcool em gel, luvas e EPIs aos profissionais de saúde. A  Natura, em acordo com a Frente Nacional de Prefeitos, doou R$ 4 milhões para compra de vacinas e insumos hospitalares.

Sem comprovação- O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Junior, disse que “os chamados kits de tratamento precoce para a Covid, com cloroquina, antibióticos etc. não têm valor algum. Não há nenhuma evidência que suporte este tipo de tratamento”.

“Trata-se de medicamentos que podem, algumas vezes, causar reações tóxicas. Não gastem os poucos recursos que vocês têm em coisas deste tipo. Seria como mandar matar uma galinha na esquina toda noite. Não há base para isso”, completa.

A Acifi não acredita no óbvio, embarca na canoa do negacionismo terraplanista, e não presta contas da eficácia do tratamento precoce ou articula qualquer ação em prol do combate à covid.

Via Jornal Impacto

Foto: Centro Integrado de Desenvolvimento Regional e nova sede da ACIFI – Roger Meireles

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