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A vitória do bicho-papão

Os inventores do bicho-papão Requião estão morrendo de medo da própria invenção. É a história espantosa deste capítulo da política paranaense.

 Juntaram-se os desafetos do homem. Quem tivesse um interesse contrariado foi convidado a participar da grande cruzada para apear Requião.

Assim se fez a armata de Osmar Dias. No segundo turno embarcaram partidos e partidecos, lideranças de alto coturno, o baixo clero, representantes de grupos econômicos e financeiros, ooperativistas e cooperados, desafetos entrincheirados em outros poderes, boa parte da grande mídia e da marrom, que acabaram se confundindo.

A eles se juntaram os aliados de ocasião e a turma que vai a frete. Desde os tempos do regime fardado não se via uma aliança tão extensa criada para arrebatar o poder no Paraná.

Nem toda essa conjugação de esforços foi suficiente para derrubar o homem. Requião, para desolação em certos tunguetes de jogo de cartas, venceu com pouco mais da metade dos votos dos paranaenses.

O método empregado pela oposição quase deu certo. Como criticar o governo não tirava votos de Requião, a banda osmarista passou a destruir a imagem do moço.

Pau e corda. Chamou-se Requião, genericamente, de bicho-papão, com variações sobre o tema. Requião virou sinônimo de radicalismo, agressividade, autoritarismo. Camadas de burguesotes e remediados entraram na crença de que Requião existe para levar ao forno, além de criancinhas, qualquer anseio de bem-estar individual.

Mas nas camadas mais pobres da população e também nas mais lúcidas sobre a questão social, a imagem de Requião é outra. Indestrutível em curto prazo, graças aos seus programas sociais de amplo alcance e à sua coerência política.

Nas áreas sociais que mais precisam de governo não funcionou o apelo ao medo e não colou a invenção do bicho-papão para impedir sonhos de liberdade e igualdade. De progresso. Para essa gente, os marqueteiros de bombordo e a mídia adaptada ao terrorismo terão que  inventar outra na próxima tentativa. Ou ficarão reduzidos ao público de sempre. Fábio Campana, no Estadinho

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