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A cueca do poder

3 de junho de 2012
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Carlos Heitor Cony

Na redemocratização do Brasil depois do Estado Novo, o primeiro deputado a ser cassado foi Barreto Pinto, que apareceu de cueca numa revista de grande circulação nacional. Foi um escândalo.

Como, de hora em hora, Deus piora, o decantado decoro parlamentar baixou a níveis tais e tantos que uma cueca a mais ou a menos não causaria espanto. Não apenas no dia a dia do Congresso, mas na vida pública em geral.

Um ministro do STF acusou um ex-presidente de coação, sendo desmentido pela única testemunha de um encontro que, em princípio, não deveria provocar um caso, a não ser pelos antecedentes dos dois principais envolvidos.O ministro do STF tem um passado interessante. Advogado da União ao tempo da Presidência de Fernando Henrique Cardoso, prestou tais e tantos serviços ao poder que foi nomeado para o Supremo.

A indicação criou perplexidade no meio jurídico, surgiram protestos veementes de todos os lados e houve até mesmo o propósito de uma ação popular contra a sua nomeação. O ministro foi acusado de abafar casos de corrupção daquele governo.

Por sua vez, o ex-presidente da República, mesmo sem ter mais o poder de coação oficial, não devia dar motivo para a acusação de ter pressionado um juiz não em causa própria, mas no interesse de seu partido, réu notório do mensalão que tanto prejudicou o seu primeiro governo. Negando a coação, não negou o encontro.

O que fica evidente nesse disse me disse é o caráter cada vez mais político (e até partidário) da Justiça em seu mais alto escalão. No fundo, uma briga entre PT e PSDB envolvendo cabos eleitorais de alto coturno.

Ficamos sabendo que pelo menos um dos juízes do escândalo já antecipou o seu voto, contrariando a tradicional ética dos tribunais.

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