“Dei baixa no futebol”, diz Onaireves Moura

Por André Pugliesi, na Gazeta do Povo:

Abril de 2008. Em entrevista coletiva, Onaireves Moura solta o verbo – detona as eleições da Fe­­de­­ração Paranaense de Futebol (FPF), rechaça as dívidas da entidade… Sobra até para o então governador Roberto Requião, por causa da in­­dicação do estádio curitibano para a Copa do Mundo. Era o último ato do cartola-mor do Paraná.

Após aquele rompante, o dirigente esportivo sumiu. O motivo? “Dei baixa no futebol. Me fez muito mal”, revela o homem que carregou embaixo do braço a bola do estado durante 22 anos.

Exilado por conta própria em São Paulo, Moura relutou em quebrar o silêncio ao ser encontrado pela reportagem da Gazeta do Povo. No primeiro contato telefônico, limitou-se a responder “não” a todas as perguntas. Na segunda investida para entrevistas (após mais de três anos sem falar à imprensa), acabou topando tratar da nova vida. Fotos? Nem pensar.

Nesse longo período de reclusão, o ex-presidente da FPF abandonou Curitiba e decidiu cortar qualquer vínculo com o passado – mesmo o contato com os familiares é raro. Desenvolveu uma repulsa ao futebol. Diz não acompanhar nada, não gosta de assistir às partidas pela televisão.

Não guarda interesse nem mesmo pelo Pinheirão, símbolo de seu reinado recheado de polêmicas no Tarumã – no início do mês os filiados à FPF aprovaram em assembleia-geral a negociação da praça esportiva, que deve ocorrer em breve e provocar a implosão do estádio. “Não quero saber”, sentencia.

Mágoa originada no episódio que afastou o estádio do Mundial de 2014, no Brasil. “Fui traído. Ha­­via um compromisso do governo do estado de que o Pinheirão receberia os jogos da Copa. O governador [Requião] foi para o Japão e o [Orlando] Pessuti [vice-governador] mudou tudo. Fiquei sem chão. Joguei todas as minhas fichas nisso”, relembra.

Aos 64 anos, ele reside sozinho na capital paulista, onde retomou o ofício anterior à incursão no mundo esportivo, como presidente do Atlético, em 1982. Vende aço para a empresa de um antigo conhecido, dos tempos em que tocava a Mouraço Indústria e Comércio de Ferro Ltda.

“Eu estou reconstruindo a minha vida. Fui à zero. Meu patrimônio acabou. Saí com uma mão na frente e outra atrás. Tive de recomeçar de baixo e hoje estou conseguindo sobreviver”, afirma. Ainda em 2007, ele teve a falência da Mouraço decretada. Recente­­mente, perdeu uma chácara na Cidade Industrial.

Sobraram as complicações com a Justiça. “A maioria dos problemas está se encerrando. Espero que logo todos se acabem”, declara.

O processo que o levou preso pela terceira vez, em 2007, na Operação Cartão Vermelho, deflagrada pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), segue tramitando na 5.ª Vara Criminal de Curitiba. Moura e outras nove pessoas são acusadas de desvios de dinheiro, fraudes, estelionato e apropriação indébita.

As mais de duas décadas na cartolagem, segundo Moura, não valeram a pena. “Foram 25 anos da minha vida desperdiçados. O futebol é uma cachaça, envolve a pessoa e quando ela percebe, não consegue sair. Se alguém imaginar que é bom negócio está muito enganado. É péssimo. Nem passa pela minha cabeça voltar”.

Após quase dez minutos de conversa, Moura se despede. Pelo tom, para sempre.

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2 Comments

  1. Deu “baixa”muito tarde do futebol paranaense. Este “calhorda”é sinonimo de anos de atraso do futebol paranaense. Além de… ahn deixa pra lá.

  2. Sem falar que aqui em Foz do Iguaçu tinha um bando de FDP que apoiava esse pulha do futebol paranaense nas suas falcatruas.

    De fato, como diz o Língua de Trapo, esta é a terra onde o rabo abana o cachorro.

    Que vergonha!!!

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Câmara aprova projeto que exige fisioterapeuta em CTI em tempo integral

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (4) o Projeto de Lei 1985/19, da deputada Margarete Coelho (PP-PI), que disciplina a permanência de fisioterapeutas em Centros de Terapia Intensiva (CTIs) adulto, pediátrico e neonatal. A matéria será enviada ao Senado.

Em seguida, a sessão da Câmara foi encerrada.

O texto foi aprovado na forma de um substitutivo da deputada Aline Sleutjes (PSL-PR), cujo relatório foi lido em Plenário pela deputada Maria Rosas (Republicanos-SP).

A única mudança no texto retira a quantidade mínima de profissionais, que era de um para cada dez leitos. Entretanto, continua a determinação de que a presença do fisioterapeuta deverá ser ininterrupta, nos turnos matutino, vespertino e noturno, perfazendo um total de 24 horas.

A disponibilidade em tempo integral para assistência aos pacientes internados nesses centros de terapia intensiva deverá ser durante o horário em que o fisioterapeuta estiver escalado para atuar nesses locais.

“Pelo grau de importância do fisioterapeuta para o restabelecimento das pessoas internadas, a presença constante desse profissional é essencial, pois ele reduz o número de dias de internação, ainda mais nessa época de Covid-19”, afirmou a autora da proposta.

Próximas votações
Os deputados voltam a se reunir em sessão deliberativa virtual na próxima terça-feira (9), às 13h55, com pauta a ser divulgada após reunião de líderes a ser realizada às 10h30 desta sexta-feira (5).

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Câmara dá prioridade para mãe chefe de família no auxílio emergencial

Texto vai agora para análise do Senado

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (2) projeto de lei que dá prioridade de recebimento do auxílio emergencial às mães chefes de família, quando o pai também informa ser o responsável pelos dependentes. A matéria segue para análise do Senado. As informações são da Agência Brasil.

Pelo texto aprovado, caso haja conflito entre as informações prestadas pela mãe e pelo pai, a preferência de recebimento das duas cotas de R$ 600 será da mãe, ainda que sua autodeclaração na plataforma digital tenha ocorrido depois daquela feita pelo pai.

“Apenas 3,6% das famílias brasileiras tinham uma configuração com homem sem cônjuge e com filho, segundo o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], e mais de 80% das crianças no Brasil têm como primeiro responsável uma mulher”, afirmou a relatora do projeto, deputada Professora Dorinha (DEM-TO).

O projeto determina que o homem com a guarda unilateral, ou que seja responsável, de fato, pela criação, poderá questionar as informações da mãe de seus filhos na mesma plataforma e receber uma das cotas de R$ 600 até que a situação seja esclarecida pelo órgão competente.

“O machismo que as mulheres já sofrem cotidianamente na nossa sociedade vemos novamente expresso quando maridos, que nunca se responsabilizaram pelo cuidado dos filhos, agora requerem o auxílio emergencial em nome da família. Trinta milhões de famílias brasileiras são chefiadas por mulheres e 56% são famílias pobres”, disse uma das autoras da proposta, a deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS). 

Após várias denúncias de mulheres que enfrentaram problemas para receber o benefício após uso indevido do CPF dos filhos pelos pais, o trecho que permitia o recebimento do valor em dobro foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a proposta resgata a possibilidade de concessão do benefício aos pais, com a prioridade para a mãe chefe de família. 

“Muitas mulheres brasileiras de baixa renda enfrentam ainda a violência patrimonial perpetrada por homens sem escrúpulos que, indevidamente, utilizaram e utilizam os CPFs dos filhos menores, que são criados unicamente pelas mães, para acessarem o auxílio emergencial. Isso tem causado enormes prejuízos para essas batalhadoras, além de colocar em risco a sua segurança alimentar e a dos seus dependentes”, afirmou Professora Dorinha.

Duas cotas

O auxílio emergencial foi criado para amenizar os efeitos das medidas de distanciamento e isolamento social necessárias para o enfrentamento da rápida propagação da covid-19. A iniciativa destina o auxílio emergencial de R$ 1,2 mil para mães chefes de família pelo período de três meses.

O texto também determina que a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – Ligue 180 crie uma opção específica de atendimento para denúncias de violência e dano patrimonial para os casos em que a mulher tiver o auxílio emergencial subtraído, retido ou recebido indevidamente por outra pessoa.

No caso de pagamentos indevidos do benefício emergencial ou realizados em duplicidade por informações falsas, os responsáveis deverão ressarcir os valores recebidos indevidamente ao Poder Público.

*Texto alterado às 21h53 para corrigir os nomes das deputadas.