Para filha de Che, legado de seu pai é cada vez mais forte

Para filha de Che, legado de seu pai é cada vez mais forte  

Ela carrega o sobrenome do guerrilheiro mais conhecido da história. Dele herdou também a vocação pela medicina e uma fé cega na revolução. Aleida Guevara March tem 46 anos e é a primogênita do segundo matrimônio de seu pai, o argentino Ernesto Che Guevara. Aleida milita no Partido Comunista e vive em Cuba com seus três irmãos (Camilo, Celia e Ernesto). “Vivemos e trabalhamos por Cuba”, declara.

Por Jaume Bauzà, do El Pais

Seu pai morreu em 9 de outubro de 1967, há quase 40 anos, e Aleida viajou até Barcelona para participar dos atos organizados pela Casa América de Catalunha para celebrar a efeméride. Médica pediatra de profissão, é uma eficaz embaixadora do regime castrista, que defende com verdadeira paixão.

Em um relato chamado A Pedra, seu pai escreveu: “Os filhos são uma maneira de sobreviver à morte”. Che sobreviveu em você?
Qualquer homem sobrevive à história se teve filhos. O difícil é levar à prática o que ele nos ensinou.

Pergunto isso porque você é uma apaixonada defensora da revolução e do regime socialista cubano.
Do governo cubano. Não temos regime, porque isso em espanhol significa outra coisa. Temos um governo constitucional e eleito por seu povo.

Perdão, você disse um governo eleito por seu povo?
Na Espanha não entendem isso porque há más informações. Desde 1976 há eleições em Cuba nos municípios e nas províncias, como em todos os países normais.

A foto de seu pai é uma das mais reproduzidas da história. Hoje o rosto do Che pode ser encontrado em quase todo o mundo. O mito se converteu em um negócio?
Vocês vivem em uma sociedade capitalista. Tentamos controlar essa desordem sobre a exploração indiscriminada da imagem do Che, mas é difícil porque cada país tem suas leis. De todo modo, tentamos encontrar o lado positivo. Ao ver a imagem em todos os lugares, muitos jovens se perguntam quem foi esse homem. Então vale a pena.

E a imagem representa fielmente o que foi seu pai?
Não, porque é só uma fotografia comercial. Che era um homem muito completo. Quando saio de Cuba, muitos jovens falam de meu pai como uma bandeira que representa a resistência, um homem que chegou a muita gente por seus ideais. Não é uma imagem vazia, um ícone pregado na parede. É um ser humano muito completo, que oxalá possa ser imitado por muitos outros seres humanos em todo o planeta.

Como teria sido Cuba se seu pai não tivesse morrido tão cedo?
Nada haveria mudado. Quando ele se foi de Cuba, em 1966, tinha certeza de que o processo revolucionário era irreversível. Ele faz parte de nosso povo e nossa cultura.

E como se vive em Cuba agora?
É um país bloqueado pela potência militar e econômica mais forte do mundo. Por isso temos muitas dificuldades para sobreviver. Mas na América Latina estão ocorrendo mudanças e graças a algumas alianças podemos sobreviver sem depender dos Estados Unidos e da Europa. O continente latino-americano é auto-suficiente.

Em Cuba os direitos humanos são respeitados?
Muito mais do que em qualquer outro lugar.

Mas há gente que está presa por se opor ao governo.
Não. Estão presas por serem assassinos, por serem delinqüentes ou por estar a serviço dos Estados Unidos para causar danos aos cubanos. São pessoas que não cumpriram nossas leis.

É justo condenar alguém por discordar ideologicamente do governo ou de seu país?
Se esse alguém discorda em sua casa, sem colocar bombas ou causar danos às propriedades do Estado, jamais será preso em Cuba. Mas se tenta causar algum dano, é lógico que acabará preso.

O governo cubano sobreviveu ao fim da União Soviética. Sobreviverá à morte de Fidel Castro?
E você crê que a revolução se faz com um só homem? Faz mais de 50 anos que resistimos ao terrorismo dos Estados Unidos, e isso não se consegue graças a um só homem.

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Câmara aprova projeto que exige fisioterapeuta em CTI em tempo integral

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (4) o Projeto de Lei 1985/19, da deputada Margarete Coelho (PP-PI), que disciplina a permanência de fisioterapeutas em Centros de Terapia Intensiva (CTIs) adulto, pediátrico e neonatal. A matéria será enviada ao Senado.

Em seguida, a sessão da Câmara foi encerrada.

O texto foi aprovado na forma de um substitutivo da deputada Aline Sleutjes (PSL-PR), cujo relatório foi lido em Plenário pela deputada Maria Rosas (Republicanos-SP).

A única mudança no texto retira a quantidade mínima de profissionais, que era de um para cada dez leitos. Entretanto, continua a determinação de que a presença do fisioterapeuta deverá ser ininterrupta, nos turnos matutino, vespertino e noturno, perfazendo um total de 24 horas.

A disponibilidade em tempo integral para assistência aos pacientes internados nesses centros de terapia intensiva deverá ser durante o horário em que o fisioterapeuta estiver escalado para atuar nesses locais.

“Pelo grau de importância do fisioterapeuta para o restabelecimento das pessoas internadas, a presença constante desse profissional é essencial, pois ele reduz o número de dias de internação, ainda mais nessa época de Covid-19”, afirmou a autora da proposta.

Próximas votações
Os deputados voltam a se reunir em sessão deliberativa virtual na próxima terça-feira (9), às 13h55, com pauta a ser divulgada após reunião de líderes a ser realizada às 10h30 desta sexta-feira (5).

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Câmara dá prioridade para mãe chefe de família no auxílio emergencial

Texto vai agora para análise do Senado

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (2) projeto de lei que dá prioridade de recebimento do auxílio emergencial às mães chefes de família, quando o pai também informa ser o responsável pelos dependentes. A matéria segue para análise do Senado. As informações são da Agência Brasil.

Pelo texto aprovado, caso haja conflito entre as informações prestadas pela mãe e pelo pai, a preferência de recebimento das duas cotas de R$ 600 será da mãe, ainda que sua autodeclaração na plataforma digital tenha ocorrido depois daquela feita pelo pai.

“Apenas 3,6% das famílias brasileiras tinham uma configuração com homem sem cônjuge e com filho, segundo o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], e mais de 80% das crianças no Brasil têm como primeiro responsável uma mulher”, afirmou a relatora do projeto, deputada Professora Dorinha (DEM-TO).

O projeto determina que o homem com a guarda unilateral, ou que seja responsável, de fato, pela criação, poderá questionar as informações da mãe de seus filhos na mesma plataforma e receber uma das cotas de R$ 600 até que a situação seja esclarecida pelo órgão competente.

“O machismo que as mulheres já sofrem cotidianamente na nossa sociedade vemos novamente expresso quando maridos, que nunca se responsabilizaram pelo cuidado dos filhos, agora requerem o auxílio emergencial em nome da família. Trinta milhões de famílias brasileiras são chefiadas por mulheres e 56% são famílias pobres”, disse uma das autoras da proposta, a deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS). 

Após várias denúncias de mulheres que enfrentaram problemas para receber o benefício após uso indevido do CPF dos filhos pelos pais, o trecho que permitia o recebimento do valor em dobro foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a proposta resgata a possibilidade de concessão do benefício aos pais, com a prioridade para a mãe chefe de família. 

“Muitas mulheres brasileiras de baixa renda enfrentam ainda a violência patrimonial perpetrada por homens sem escrúpulos que, indevidamente, utilizaram e utilizam os CPFs dos filhos menores, que são criados unicamente pelas mães, para acessarem o auxílio emergencial. Isso tem causado enormes prejuízos para essas batalhadoras, além de colocar em risco a sua segurança alimentar e a dos seus dependentes”, afirmou Professora Dorinha.

Duas cotas

O auxílio emergencial foi criado para amenizar os efeitos das medidas de distanciamento e isolamento social necessárias para o enfrentamento da rápida propagação da covid-19. A iniciativa destina o auxílio emergencial de R$ 1,2 mil para mães chefes de família pelo período de três meses.

O texto também determina que a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – Ligue 180 crie uma opção específica de atendimento para denúncias de violência e dano patrimonial para os casos em que a mulher tiver o auxílio emergencial subtraído, retido ou recebido indevidamente por outra pessoa.

No caso de pagamentos indevidos do benefício emergencial ou realizados em duplicidade por informações falsas, os responsáveis deverão ressarcir os valores recebidos indevidamente ao Poder Público.

*Texto alterado às 21h53 para corrigir os nomes das deputadas.