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Para especialistas, Brasil está em recessão técnica

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O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou queda de 1,48% em junho ante maio, o que deixou o segundo trimestre negativo em 1,20% em relação aos três primeiros meses do ano. O resultado divulgado ontem representa a maior retração mensal desde maio do ano passado, quando o recuo foi de 1,68% sobre abril.

Apesar de ainda representar desempenho positivo em 0,08% no ano, existe a possibilidade de que o País entre em recessão técnica no futuro, o que ocorre quando há quedas por dois trimestres consecutivos. No entanto, economistas ouvidos pela Folha de Londrina afirmam que a chance é pequena porque o resultado de junho foi afetado pelas paralisações na indústria e no comércio causadas pela Copa do Mundo, e deve ocorrer alta nos meses seguintes pelas vendas para o fim do ano.

Até junho, porém, apenas ocorreu alta na atividade em janeiro, com 1,06% ante dezembro, segundo o BC. Desde então, houve reduções de 0,01% em fevereiro, de 0,24% em março, de 0,01% em abril e de 0,80% em maio, além da diminuição de 1,48% em junho.

A professora de economia Maria de Fátima Sales, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que junho foi muito atípico e que não há como a economia ficar tão ruim nos dois meses seguintes. “Mas o que temos é uma crise se instalando, com perspectiva de baixo crescimento mundial, o que prejudica nossas exportações, e as eleições e a Copa, que tumultuam o cenário para investimentos.”

Nada disso é surpresa para analistas e para o governo, diz Maria de Fátima. Porém, em curto ou médio prazo, ela acredita na estabilidade do PIB, ainda que com desigualdade entre setores. O maior risco é para o crescimento de segmentos ligados aos bens de consumo não duráveis e aos bens de capital. “Serviços, de maneira geral, também devem perder, porque a renda tende a se estabilizar e não poderá ocorrer tanta alta nos preços do setor, porque é comum as pessoas cortarem o que não é essencial, como a ida ao bar ou ao salão de cabeleireiros.”

Para o professor de economia Adílson Volpi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a chance de que o País tenha crescimento negativo no ano é baixa. “Não vejo essa possibilidade porque a atividade econômica no segundo semestre sempre é maior do que no primeiro, mas também não vejo tempo o bastante para uma mudança de rumo que reaqueça a economia.”

Para 2015, ele cita a necessidade de que ocorram mudanças, independentemente de quem governará o País pelos próximos quatro anos. “Não que teremos soluções depois das eleições, mas vamos poder enxergar o que será feito. Vai depender de como os agentes econômicos vão acreditar nas pessoas e nas ideias”, conta Volpi.

Metodologia
O IBC-Br é usado pelo Banco Central (BC) como referência do comportamento econômico do País para orientar políticas de controle da inflação, por exemplo. A instituição não considera o índice como prévia do PIB, que tem metodologia diferente e é muito mais complexo, mas analistas de mercado usam o resultado para ajudar a prever o PIB.

O índice do BC considera o desempenho da indústria, agropecuária e serviços para a economia, enquanto o PIB, que demora mais para ser divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é calculado pela soma dos bens e serviços produzidos no País.