Written by 9:00 Brasil, Economia, Eleições 2016, Paraná, Politica

Rafael Greca prevê início de governo difícil, com crise e dívidas em Curitiba

greca110709-1-470x312O engenheiro Rafael Greca (PMN) assume a prefeitura de Curitiba pela segunda vez no próximo dia 1º em um cenário muito parecido ao que enfrentou no início de seu primeiro mandato, em 1993. Assim como hoje, na época o País atravessava uma grave crise, que havia derrubado um presidente e jogado a economia para uma expiral de recessão e incertezas. E às vésperas de tomar posse, ele mesmo admite não ter ilusões sobre o quadro que terá no começo de sua nova administração. E já prevê que provavelmente terá que renegociar dívidas e priorizar o indispensável para atravessar esse início de gestão.

Até por isso, já decidiu que reduzirá a “máquina”, cortando cargos e secretarias, e escalou um secretário das Finanças – Vitor Puppi – que ele mesmo define como “especialista em ajuste fiscal”. “Eu vou fazer uma prefeitura suficiente”, explica. “Se eu assumir em um quadro em que não possa honrar os compromissos imediatamente, vou ser obrigado a escalonar isso. Não tem outra saída”, avisa o prefeito eleito, em entrevista ao jornal Bem Paraná.

Bem Paraná – Qual foi o critério que o senhor usou para escolher os secretários?
Rafael Greca – O critério é eminentemente técnico. Os partidos políticos que me apoiam foram muito corretos nisso. Não exigiram nada que não fosse possível de cumprir. Nós teremos doze secretarias. E a procuradoria e as autarquias e fundações.

BP – Qual a intenção dessa redução?
Greca – Ela tem um caráter econômico. Se eu faço de duas secretarias uma eu economizo um monte de cargos. A mensagem é que os governos do Brasil precisam trabalhar. Esse tempo de pós-verdade, pós-Lava Jato pede que o povo seja reconquistado pela eficiência dos governantes. O secretário de Finanças (Vitor Puppi) é um especialista em ajuste fiscal. É formado pela universidade de Berkeley e foi convidado diante do quadro de grande gravidade que se desenha das finanças municipais. A arrecadação entre 2012 e 2016 subiu 28% e a despesa com pessoal subiu 70%. A doutora (atual secretária de Finanças) Eleonora Fruet lança a receita do transporte coletivo como receita corrente líquida, o que não é verdade, porque se a gente tirar esse recurso da conta a prefeitura já estaria no limite prudencial da responsabilidade fiscal. Então não é quadro para promoções, plano de cargos e salários, nem para mais contratações. Muito menos para uma oficina de música que vai remunerar estrangeiros quando falta remédio nos postos de saúde da cidade. Nós vamos colocar tudo na mais absoluta transparência.

BP – Como o senhor avalia o processo de transição?
Greca – Não é republicano. Não nos deram as informações. É muito travado e ressentido. Eles estão amedrontados e estão tentando construir uma saída. Nós sabemos que eles não estão deixando os fornecedores empenharem as despesas, o que deve fazer a dívida muito maior.

BP – Em 31 de março tem a data-base do reajuste dos servidores municipais. Ela será mantida ou revista?
Greca – Nós vamos tentar preservar a capacidade de pagamento da prefeitura. Nós estamos no limite prudencial. Se o limite prudencial for comprovado eu não posso dar aumento, sob pena de improbidade administrativa. Se eu puder corrigir os salários, eu farei isso de muito bom grado. Eu vou trabalhar para preservar a capacidade de pagamento da prefeitura. Agora eu tenho que ter uma prefeitura que seja para o povo de Curitiba e não que seja um ente egoísta que devora todos os recursos públicos só para se autoremunerar. Uma prefeitura que existe por si mesma. Ela tem que existir para o povo.

Bem Paraná – A Câmara aprovou o parcelamento da dívida do consórcio do lixo. Há informações de dividas com previdência e outras áreas. O senhor teme que isso possa comprometer o início da sua gestão?
Rafael Greca – O parcelamento da dívida do lixo eu concordei. Porque é melhor do que eu tenha que pagar tudo de uma vez só. Eu vou ter que negociar com todos os fornecedores. Eu tenho que ter muita responsabilidade, porque eu poderia decretar uma moratória de seis meses, por exemplo, porque eu poderia quebrar empresas. E não é do meu interesse quebrar ninguém, porque vai haver mais desemprego. Eu tenho que fazer isso aos poucos. Porque, por exemplo, se eu não pago as pequenas empresas de limpeza e conservação… O Fruet já despediu um monte de gente. Eu vou despedir mais gente ainda, vai ter mais miséria na cidade? Vamos ver o que vai acontecer. No começo eu não tenho ilusão. Eu vou fazer uma prefeitura suficiente. O objetivo principal é dar qualidade para a saúde no primeiro momento. Daí perseguir o equilíbrio fiscal. E restaurar aos poucos o rosto da cidade que eu considero ferido. Eu estou muito impressionado porque eu fui comprar as luzes do meu pinheirinho na casa França, na rua Barão do Rio Branco e tem cocô de gente na rua. No meio das floreiras todas tem estrume de gente, na temporada do Natal. Isso é uma tragédia, uma humilhação para Curitiba. Não tem uma flor nas floreiras e o Horto está funcionando, a primavera floresceu, tem 9 mil funcionários no Meio Ambiente e não tem cabimento que não lavem a rua, não coloquem flores na cidade.

BP – E o que o senhor acha da proposta da atual gestão de adiar o pagamento do terço de férias dos servidores municipais?
Greca – Tudo o que diz respeito ao ano de 2016 é responsabilidade do prefeito Gustavo Fruet. Eu vou assumir dali para frente. Mas se eu assumir em um quadro em que não possa honrar os compromissos imediatamente, vou ser obrigado a escalonar isso. Não tem outra saída. A ideia é a aplicação dos métodos da empresa privada no serviço público. Tentar fazer uma coisa menos dolorosa possível. Eu também tenho consciência de que se eu tiver que fazer alguma medida amarga, o amargor de uma vez só. Para que depois nós possamos ter sucessivas doçuras.

(Visited 5 times, 1 visits today)

Close