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UM LUGAR QUE UM DIA AINDA PODERÁ SER CHAMADO DE DISTRITO INDUSTRIAL

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Lama, unha-de-gato, capim-colonião, mamona e buva. Na visita que a equipe de reportagem do Jornal do Iguaçu fez ao Distrito Industrial de Foz do Iguaçu, na tarde desta quinta-feira, dia 26, foram apenas estas plantas que encontramos no terreno localizado atrás do bairro Morumbi II. Ou seja, nada de indústrias, empresas e empregos nos 913 mil metros quadrados da área reservada exclusivamente para estes segmentos.

Logo na entrada do Distrito, onde fica localizada a placa de inauguração – realizada em dezembro de 2006 – com o texto: “O prefeito Paulo Mac Donald Ghisi entrega aos iguaçuenses e empreendedores, que acreditam na cidade, o Distrito Industrial de Foz do Iguaçu, com área de 54,5 alqueires”, é possível ver o ostracismo do poder público com o espaço. Nem mesmo a placa – normalmente utilizada como uma marca registrada daqueles que trabalharam para viabilizar o determinado espaço – foi poupada pelo mato.

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UM LUGAR QUE UM DIA AINDA PODERÁ SER CHAMADO DE DISTRITO INDUSTRIAL

UM LUGAR QUE UM DIA AINDA PODERÁ SER CHAMADO DE DISTRITO INDUSTRIAL

Lama, unha-de-gato, capim-colonião, mamona e buva. Na visita que a equipe de reportagem do Jornal do Iguaçu fez ao Distrito Industrial de Foz do Iguaçu, na tarde desta quinta-feira, dia 26, foram apenas estas plantas que encontramos no terreno localizado atrás do bairro Morumbi II. Ou seja, nada de indústrias, empresas e empregos nos 913 mil metros quadrados da área reservada exclusivamente para estes segmentos.

Logo na entrada do Distrito, onde fica localizada a placa de inauguração – realizada em dezembro de 2006 – com o texto: “O prefeito Paulo Mac Donald Ghisi entrega aos iguaçuenses e empreendedores, que acreditam na cidade, o Distrito Industrial de Foz do Iguaçu, com área de 54,5 alqueires”, é possível ver o ostracismo do poder público com o espaço. Nem mesmo a placa – normalmente utilizada como uma marca registrada daqueles que trabalharam para viabilizar o determinado espaço – foi poupada pelo mato.

Seguindo um pouco adiante, pelas ‘ruas’ que não têm recape asfáltico e muito menos iluminação, é possível reconhecer o espaço que, de mês em mês, é divulgado nos jornais e nos programas policiais da cidade. Normalmente, a manchete fala sobre alguma vítima de homicídio encontrada no Distrito Industrial, ou nas imediações.

Uma volta de carro em torno de todo o espaço, numa estrada de pedra poliédrica relativa boa, dura aproximadamente 10 minutos. Neste tempo e nesta volta (que num dia de chuva, como foi o caso de ontem, mais pareceu um rally) passamos por praticamente três bairros da cidade, sendo possível encontrar apenas três fábricas em pleno funcionamento: uma de panificação; uma de artefatos de concreto, e outra de exportação e importação de farinha de trigo, o trio não gera mais de 300 empregos diretos, fica praticamente solitário na imensidão de mato e terra vermelha.

Além daquelas em que o trabalho já acontece, existem algumas construções abandonadas e outras em que os empresários aparentam não ter pressa de abrir os negócios. Com apenas dois, três pedreiros trabalhando, são quase uma dezena de imóveis sendo levantados.

Promessas – Revirando o arquivo de matérias publicadas no Jornal do Iguaçu e os demais órgãos de imprensa da cidade, encontramos diversas falácias, promessas e dados promissores para área, que foi inaugurada em 2006. Falácias estas que foram proferidas tanto pelo prefeito Paulo Mac Donald Ghisi, quanto pelo secretário de Indústria e Comércio na época, Edgar Bueno – hoje prefeito de Cascavel.

Em uma delas, o então secretário Edgar Bueno disse que havia aproximadamente 53 empresas prontas para se instalar no Distrito Industrial. Apesar de não divulgar o nome destas empresas, o secretário disse na época que seriam dos seguintes segmentos: confecções, secagem de grãos, fabricação de ar-condicionado, metalurgia, fabricação de produtos de panificação, produção de farinha de trigo, fabricação de estruturas para eventos, fabricação de equipamentos médico-hospitalares e de odontologia, além de artefatos de concreto. Em outra oportunidade, o prefeito afirmou que apenas no Distrito Industrial de Foz do Iguaçu seriam gerados mais de três mil postos de trabalho na primeira fase da operacionalização.

Incentivos – Na época da divulgação do Distrito Industrial, a prefeitura informou que as empresas que apostassem no distrito industrial teriam vários incentivos, como a isenção por até dez anos, de tributos municipais como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza), de alvarás, entre outras taxas.

Outra beneficio divulgado pela prefeitura era a possibilidade de parcelamento dos terrenos em até 60 meses. O empresário também poderia ocupar a área por concessão de uso, em período de dez a 20 anos. O critério para obtenção destes benefícios por parte do município seria o índice de geração de empregos.

Já o incentivo concedido às empresas que geram ICMS seria o de recolhimento de apenas 10% do imposto. O empresário poderia preterir o pagamento do restante do imposto, a partir de 48 meses com dilação de prazo. A secretaria de Indústria e Comércio, na época, possuía a planta da área e estava pré-agendando terrenos para as empresas. Os interessados deveriam procurar a secretaria para fazer a pré-reserva do terreno.

Com tantos benefícios, por que os empresários não se instalaram? Um dos motivos foi levado a público, através uma matéria publicada na edição do dia 25 de janeiro de 2008 no Jornal do Iguaçu. Nesta matéria, a equipe de reportagem entrou em contato com empresários que assinaram o documento se comprometendo a iniciar as obras no Distrito Industrial, mas não fizeram. Alguns empreendedores relataram que encontraram problemas burocráticos, mas estavam desanimados com a falta de segurança no local. Mas não foram apenas os industriais que reclamaram. Na mesma matéria, a equipe de reportagem relatou o drama dos moradores da região, que também sofrem com o matagal e com a falta de segurança.

Nas empresas que hoje estão no local, foi possível observar que, para garantir a segurança, elas utilizam equipamentos como sistema de monitoramento de vídeo, muros altos e ainda cercas elétricas.

Comparativos – A TV Tarobá mostrou em 2007, um ano após a inauguração do Distrito, uma matéria exaltando a revolta de empresários de Foz do Iguaçu quanto à falta de incentivos no setor de indústria e comércio. A prefeitura de Foz rebateu as críticas afirmando que tudo estava dentro do cronograma. O diretor de desenvolvimento da secretaria de indústria e comércio na época, Alisson Ramos da Luz, disse que o processo de instalação do distrito estava seguindo o cronograma e ‘só não é mais rápido por que as empresas precisavam de autorização do IAP para iniciar as atividades.’ Enquanto o distrito industrial de Foz gerava polêmica, a Tarobá mostrou que a 20 km dali, em Santa Terezinha de Itaipu, há 60 empresas instaladas dos mais diversos segmentos.

Segundo a matéria, estas empresas forneciam produtos para todo o Paraná, para o Brasil e algumas até para países da África e Europa. Muitas da empresas instaladas lá, de acordo com a reportagem, saíram de Foz do Iguaçu em busca dos benefícios. Em Santa Terezinha de Itaipu, dependendo do tamanho da empresa e do segmento, a prefeitura ajuda a custear o terreno, as obras de construção de barracões e isenta os impostos municipais por um período de até 10 anos.
Em outro comparativo, agora relatando a questão da geração de empregos, o sítio eletrônico Megafone publicou uma matéria comparando o número de empregos criados pelas cidades de Toledo, Foz e Cascavel de 2005 a 2008, levando em consideração todos os segmentos, mas principalmente, a área da Indústria. A matéria mostra que Foz do Iguaçu gerou metade do total de empregos formais criados em Cascavel, no período de 2005 a 2008. Nos últimos quatro anos, o município de 315 mil habitantes, teve baixo saldo positivo na balança de admissões e demissões no mercado de trabalho. O resultado foi de 5.420 empregos em diferentes atividades.

Já Cascavel, com 295 mil moradores, os saldo foi de 10.292 empregos com carteira assinada. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), sistema vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego. Os números foram divulgados nesta semana relativos ao balanço anual de 2008. Para efeito comparativo, no quadro geral, Foz do Iguaçu manteve, em 2008, 36.595 empregos formais cadastrados em 12.024 estabelecimentos empresariais. Mais uma vez, Cascavel supera a cidade da fronteira tríplice com 62.949 vagas em 15.651 empresas. Lembrando que o prefeito daquela cidade, é o mesmo que criou o Distrito Industrial em Foz, quando era o secretário da pasta, que depois dele, ficou vazia até 2009, quando assumiu o antigo secretário de Administração, Adevilson Gonçalves

No oeste, Foz do Iguaçu perde ainda para Toledo. O município, com 105 mil moradores, teve como saldo positivo 7.309 empregos formais. O município conta com o maior parque industrial do Paraná, que mantém 553 indústrias.

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