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Quem é o espelho da “Classe C”?

Por Pedro Lichtnow

Qual será o espelho para a Classe C, a nova classe média, em fulminante ascensão social no Brasil?

De uma hora para outra, milhões de brasileiros se viram com o poderio de compra, a capacidade, quase sem freio, de comprar, consumir e acessar produtos e oportunidades antes praticamente impossíveis.

O crédito fácil na praça, às condições acessíveis de pagamento e a estabilidade da economia permitiriam um deslumbre irreal dessa camada social, que agora, vislumbra o poder de compra e a aquisição de tudo ou quase tudo que sempre sonhou, do ponto de vista material, dentro da sociedade do consumo.

E a quem a nova classe se esmera e usa de exemplo para, finalmente, assumir seu lugar ao sol nesta sociedade de ilusões. 

O reality show “Mulheres Ricas”, cujo último episódio exibido pela Band acontece nesta segunda-feira (5) dá uma noção de quem o novo brasileiro com poder de compra e consumo poderá se espelhar, caso não haja um choque de conscientização social.

O programa apresentou, em vários episódios, com altos índices de audiência para a emissora, o que o deslumbre pelo dinheiro e o que alguns típicos novos ricos ou mesmo tradicionais milionárias, fazem com o dinheiro e como aproveitam seu tempo, de forma totalmente ociosa e fora da dura realidade vivida por milhões de brasileiros.

Seria esse o exemplo a ser seguido pela população, que, mal chegou à pirâmide social do consumo, passa a almejar o poder infinito do consumo.

As madames, com seus clichês vazios e supérfluos, vivem num universo paralelo à realidade dos brasileiros e tentam, a qualquer custo, seduz a todos com seu glamour e charme, financiado por muito dinheiro jogado ao vento.

O programa é um clássico de humor trágico e um perigo para o condicionamento das mentes dos trabalhadores que há pouco chegaram à pirâmide econômica, muitos dos quais sem preparo intelectual ou cultural, para enfrentar a gana do mercado pelo consumo e o mundo das vaidades.

Para a socialite Narciza Tamborindeguy, uma das protagonistas do programa, agora, com o final da temporada de “Mulheres Ricas”, o cenário do Rio de Janeiro para a gravação, não basta mais. “Só se for em Nova York. O Rio já deu!.

É essa a filosofia da banalidade, deslumbre e das conveniências da autora da frase de efeito “ai, que loucura”. Os brasileiros, afinal, deveriam presta atenção em quem e a que espelhar-se e observar a verdadeira realidade dos fatos e da sociedade.