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PARAGUAI VAI PROPOR AO BRASIL EXPANSÃO DA FERROESTE A PUERTO PRESIDENTE FRANCO NA FRONTEIRA COM FOZ

PARAGUAI VAI PROPOR AO BRASIL EXPANSÃO DA FERROESTE A PUERTO PRESIDENTE FRANCO NA FRONTEIRA COM FOZ DO IGUAÇU

Em reunião com o Presidente em Exercício do Paraguai, em Assunção, o presidente da Ferroeste afirma que o projeto só é plenamente viável com a construção do ramal Guarapuava-Paranaguá.

O presidente em exercício do Paraguai, Luis Federico Franco Gómez, adiantou esta sexta-feira (5), em Assunção, durante reunião com o presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, ministros de Estado e o Grupo Propulsor de Integração de Projetos Ferroviários (liderado pelo governador do Departamento de Alto Paraná, produtores e empresários da região de Santa Rita), que o presidente Fernando Lugo levará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no próximo encontro de líderes dos dois países, a proposta de dar andamento imediato à construção do ramal da Ferroeste entre Cascavel e Foz do Iguaçu e sua ligação com a cidade vizinha de Puerto Presidente Franco através de ponte ferroviária.

Com estas obras, o Paraguai estará ligado por ferrovia ao Porto de Paranaguá. A proposta inclui a construção de um terminal de transbordo em Puerto Presidente Franco para que a ferrovia seja abastecida por caminhões, que percorrerão distância máxima de 300 quilômetros no território paraguaio.

Samuel Gomes foi convidado pelo Presidente em exercício para expor o a expansão da Ferroeste e os benefícios que o projeto proporcionará à economia daquele país. Ausente do país em missão oficial, o presidente Lugo comunicou previamente ao governador Roberto Requião o seu interesse na ligação ferroviária entre o Paraguai e o Paraná, através da Ferroeste e da estatal paraguaia Fepasa – Ferrocarriles del Paraguay. A reunião foi acompanhada por assessores do Presidente Lugo, que conversaram com o presidente da Ferroeste após a mesma, reiterando o apoio do conjunto do governo ao projeto.

O ramal entre Cascavel e Presidente Franco foi assumido pelo Brasil e Paraguai como um projeto binacional. Os estudos de engenharia da Ferroeste já estão prontos, custaram R$ 10,1 milhões, e precisam ser atualizados. Recursos para isso, da ordem de R$ 2,4 milhões, virão da emenda de R$ 13 milhões para estudos de viabilidade e estudos ambientais dos novos ramais da Ferroeste apresentada pela bancada paranaense e acolhida pelo sub-relator Carlito Mers (PT-SC) e pelo relator da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional, senador Delcídio Amaral (PT-MS).

CUSTO LOGÍSTICO
O Presidente do Paraguai em exercício disse que a extensão da Ferroeste “é um sonho largamente acalentado pelos paraguaios”. E acrescentou: “Não temos petróleo, não produzimos gasolina, nem diesel, e temos o inconveniente do transporte”. O presidente em exercício explicou que no período de safra o Paraguai arca com “o sobre custo que implica a venda da soja, trigo, milho e em geral todos os cereais ao estrangeiro” devido à necessidade de realizar o transporte de toda a produção por caminhões.

Na sua apresentação, Samuel Gomes relatou que a linha atual da Ferroeste, entre Guarapuava e Cascavel, foi construída pelo Exército Brasileiro no primeiro mandato do governador Roberto Requião, entre 1991 e 1994. Custou US$ 363 milhões e foi paga integralmente pelo Tesouro do Estado.

“Em seguida ao término do mandato do governador Requião, a ferrovia sofreu um longo período de paralisia e gestão predatória, somente interrompido com sua retomada pelo Estado, em 18 de dezembro de 2006, no segundo mandato do governador Requião”, acentuou. A expansão das linhas da Ferroeste, a partir da retomada, em direção ao Mato Grosso do Sul, ao Paraguai, ao Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina passou a ser um projeto defendido como prioritário pelos governadores da Região Sul, sob a égide do Codesul, e pelo governo do Paraguai.

SOLUÇÃO PARA O “GARGALO” LOGÍSTICO
Todavia, esclareceu Samuel Gomes, para que o Paraguai possa beneficiar-se plenamente da expansão da Ferroeste ao seu território, é necessário superar um gargalo que separa o trecho existente, entre Guarapuava e Cascavel, do Porto de Paranaguá. O referido gargalo é a linha férrea entre Guarapuava e Ponta Grossa, construída entre 1906 e 1918, de Ponta Grossa e Irati, e entre 1918 e 1954, de Irati a Guarapuava, operada atualmente por uma concessionária privada.

O trecho é estrutural e irremediavelmente inadequado para dar vazão às cargas que a linha atual da Ferroeste tem capacidade de transportar, disse Gomes. “Por isso, além de constituir-se hoje num obstáculo à plena utilização pela Ferroeste da sua ferrovia entre Cascavel e Guarapuava, o referido gargalo representa obstáculo à construção dos ramais em direção ao Paraguai, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina”

Estas razões levaram o governador Requião, em reunião realizada no Palácio das Araucárias, em 2 de junho passado, a determinar que, sem prejuízo da devida atenção aos demais ramais do seu plano de expansão, a Ferroeste priorize a solução do gargalo, avançando suas linhas a partir de Guarapuava em direção do Porto de Paranaguá. “Mas isso não enfraquece o projeto de expandir nossa ferrovia ao Paraguai. Antes pelo contrário, fortalece a necessidade de que o governo federal brasileiro honre o quanto antes o compromisso firmado em Assunção, em 30 de julho de 2007, de colocar o BNDES a serviço da construção do ramal Cascavel – Presidente Franco da Ferroeste”, afirmou Samuel Gomes.

COMITIVA PARAGUAIA NA REUNIÃO SEMANAL DE GOVERNO
Diante dos esclarecimentos do presidente da estatal paranaense, ficou decidido que uma comitiva do Paraguai estará presente na discussão pública do ramal Guarapuava –Paranaguá, na próxima reunião da Escola Semanal de Governo, no dia 9 de junho, às 8h30, no auditório do Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico.

Durante a reunião, a Ferroeste apresentará ao conjunto do governo e à sociedade os resultados do estudo de pré-viabilidade da nova ferrovia. O serviço foi contratado junto ao Lactec – Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento. O ramal Guarapuava-Paranaguá da Ferroeste, adiantou Gomes, reduzirá a distância ferroviária atual entre Cascavel e Paranaguá em 125 km. “Portanto, a distância passará dos atuais 736 km para 611 km”, disse ele. A diferença é de 250 km de redução no ciclo de ida e volta”. Além disso, como terá características técnicas idênticas ou melhores que a linha que a Ferroeste já opera, o novo ramal permitirá que o ciclo dos vagões entre Cascavel e Paranaguá, que hoje varia entre 8 e 10 dias, seja reduzido para dois dias.

“O novo ramal promoverá uma revolução logística”, garante Gomes. “Será uma ferrovia do século XXI para uma logística do século XXI”, prossegue, “que impulsionará o desenvolvimento econômico e social do nosso Paraná, Mato Grosso do Sul, Paraguai e Santa Catarina e fortalecerá o nosso Porto de Paranaguá como destino natural de uma ampla região interior da América do Sul.”. O ramal da Ferroeste a Paranaguá impulsionará, também, o corredor ferroviário bioceânico entre o Atlântico e o Pacífico, através do Paraná, Paraguai, Norte da Argentina e Chile.

SINERGIA E VIABILIDADE
O presidente da Ferroeste explicou em Assunção que os ramais da Ferroeste ao Paraguai, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina “se retroalimentam em termos de viabilidade”, porque os estudos revelam que “haverá ampla circulação de riquezas entre estas regiões e entre cada uma delas e o Porto de Paranaguá”.

Por isso, afirmou Samuel Gomes, “todos os ramais podem ser construídos ao mesmo tempo, desde que o ramal Guarapuava-Paranaguá comece a operar ao mesmo tempo ou antes que os ramais para o Paraguai, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina”. Assim, acrescentou, “o projeto de expansão da Ferroeste tem a grandeza de ser viável no seu conjunto e viável em cada um dos seus quatro módulos: Paraguai, Mato Grosso do Sul, Sudoeste do Paraná/Santa Catarina e Guarapuava-Paranaguá.

Para Gomes, dizer que existe viabilidade no projeto inteiro e em cada um dos seus módulos significa dizer que, “diferentemente do esforço orçamentário monumental que foi necessário para a construção do nosso primeiro trecho, entre Cascavel e Guarapuava, não será preciso pagar a obra integralmente com dinheiro do Tesouro, já que a obra deverá ser financiada e a Ferroeste pagará o financiamento com as receitas do transporte, nos marcos praticados no sistema financeiro público ou privado para grandes obras de infra-estrutura.”

EXÉRCITOS
O presidente da Ferroeste disse a Federico Franco que um dos seus sonhos é ver o Exército Brasileiro e o Exército Paraguaio construindo a ferrovia juntos. Seria bem-vindo, disse ele, um trabalho conjunto entre os exércitos brasileiro e paraguaio. Foi o Exército Brasileiro que construiu a estrada de ferro da Ferroeste. A instituição possui larga experiência na área de engenharia ferroviária. Segundo Gomes, o Exército Paraguaio poderia criar batalhões ferroviários e sua participação no projeto poderia começar na fase de construção do trecho entre Cascavel e Puerto Presidente Franco.

OPERAÇÃO PÚBLICA
Empresários do Paraguai que participaram do encontro manifestaram ao Governo sua convicção de que o sistema de gestão da ferrovia naquele país deve ter como referência o modelo adotado pelo Governo do Paraná na Ferroeste. Raúl Valdez, da Trebol Agrícola, disse que “os empresários não querem monopólio privado na gestão da ferrovia do Paraguai e desejam um modelo que permita ao pequeno e médio produtor competir no mercado”. Este modelo, segundo ele, deve ser público, sem as pressões dos acionistas por lucros gigantescos e imediatos. O empresário afirmou que o modal ferroviário, por ser um monopólio natural, precisa ser gerido pelo Estado, como defendem o governador Roberto Requião e o presidente da Ferroeste, Samuel Gomes.

FERROESTE E FEPASA
O presidente da estatal paranaense propôs ao governo paraguaio a celebração imediata de um termo de cooperação técnica entre a Ferroeste e a Fepasa, a estatal ferroviária paraguaia, para avançar no "desenho institucional e operacional" da ferrovia que interligará o Paraná e o Paraguai. Segundo Gomes, deve ser estudada a possibilidade de que os trechos Cascavel – Foz do Iguaçu – Presidente Franco – Maria Auxiliadora – Encarnación – Pilar (na fronteira com a Argentina) sejam operados em conjunto pela Ferroeste e Fepasa.

Eduardo Laterza Rivarola, presidente da Fepasa, presente à reunião com o Presidente do Paraguai em exercício, afirmou que a união de esforços com a Ferroeste representa “uma aliança estratégica fundamental” para viabilizar a ferrovia. “Precisamos do apoio da Ferroeste para levar adiante o projeto”, disse ele. Rivarola acredita a proposta do presidente da estatal paranaense de estudar o desenho institucional e operacional de uma organização ferroviária brasileiro-paraguaia a ser formada por Ferroeste e Fepasa deve ser colocada em prática imediatamente, através de um convênio de cooperação técnica entre as duas empresas.

MÓDULOS
Na reunião concluiu-se pela necessidade de dividir a construção da ferrovia Cascavel – Paraguai – Argentina em dois módulos. O primeiro módulo será o ramal da Ferroeste de Cascavel a Puerto Presidente Franco e o segundo módulo, o de Presidente Franco até a fronteira com a Argentina, cuja proposta de traçado é conectar Presidente Franco a Maria Auxiliadora e daí tanto a Encarnación (na fronteira com a cidade argentina de Posadas) como a Pilar (na fronteira com a região argentina de Resistência), segundo entendimentos em andamento entre os governos brasileiro, paraguaio, argentino, chileno. A previsão é de que os recursos venham do BNDES, em razão do compromisso que o Brasil assumiu em reunião do Grupo de Logística e Transporte Brasil-Paraguai, na cidade de Assunção, em 30 de julho de 2007, da qual o presidente da Ferroeste participou.

A decisão política de construir o corredor foi reiterada pelo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile na Reunião de Integração Ferroviária Argentina-Brasil-Chile-Paraguai, em 29 de maio de 2008, em Buenos Aires, na qual o presidente da Ferroeste esteve presente, encontro que definiu prazo entre cinco e dez anos para o corredor entrar em operação.

Na reunião entre o Presidente do Paraguai e o presidente da Ferroeste, nessa sexta-feira, em Assunção, ficou definida a criação de um grupo de trabalho que reúne o Grupo Propulsor de Integração de Projetos Ferroviários (formada por cooperativas paraguaias e governantes locais) e o governo do Paraguai no sentido de implementar uma agenda para definir os próximos passos do projeto de integração entre a Ferroeste e a Fepasa.

CARTA DE SANTA RITA
O interesse do governo paraguaio no projeto de expansão da Ferroeste foi reafirmado, em maio passado, por Federico Franco, durante a Expo Santa Rita, quando disse que o Governo do Paraguai pode financiar 50% da construção da ponte ferroviária entre Foz do Iguaçu e Puerto Presidente Franco.

O apoio de Franco ao projeto da Ferroeste deu origem à Carta de Santa Rita, em 20 de maio, na qual autoridades daquele país pedem o avanço do projeto do corredor bioceânico, unindo os portos de Paranaguá e Antofagasta, no Chile, assim como a construção da ponte ferroviária sobre o rio Paraná.

O documento foi assinado pelo governador do Departamento de Alto Paraná, Paraguai, Nelson Aguinagalde, o vice-ministro da Pecuária do Paraguai, Armim Hamann, e o vice-ministro do Comércio do Paraguai, Agustín Perdomo, em conjunto com o presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, autoridades departamentais, municipais, líderes cooperativistas e empresários paraguaios.

A Carta de Santa Rita, informa o documento, é uma decorrência da apresentação dos projetos da Ferroeste na Expo Santa Rita, em 16 de maio, feita pelo presidente da Ferroeste, a convite de um grupo de empresários paraguaios (Unicoop) que está retomando as exportações pelo Porto de Paranaguá, através do porto seco instalado no terminal de Cascavel.

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