Papa cita Shakespeare em apelo contra a destruição ambiental

O papa Francisco adaptou uma citação famosa do “Hamlet“, de Shakespeare, em um apelo para que as pessoas não continuem cegas à destruição do meio ambiente e à migração em massa que ela pode causar, escrevendo: “Ver ou não ver, eis a questão.”

Francisco ainda pediu às pessoas que trabalhem juntas para proteger “a criação, nossa casa comum” e não se “recolham” no individualismo. O apelo foi feito no prefácio de um documento do Escritório de Desenvolvimento do Vaticano para o Cuidado Pastoral de Pessoas Deslocadas por Eventos Climáticos.

“Sugiro que adaptemos o famoso ‘ser ou não ser’, de Hamlet, e afirmemos: ‘ver ou não ver, eis a questão!’ Isso começa com a visão de cada um, sim, a minha e as suas”, escreveu Francisco.

“Não sairemos de crises como a do clima e da covid-19 nos recolhendo no individualismo, mas somente ‘estando muitos juntos’, pelo encontro, o diálogo e a cooperação”, acrescentou no prefácio do estudo de 30 páginas divulgado nessa terça-feira (30).

Conservadores da Igreja Católica, muitos alinhados a forças políticas, são céticos sobre a mudança climática e contestam a opinião científica majoritária de que o aquecimento global é causado principalmente pelo homem.

“Quando pessoas são expulsas porque seu meio ambiente local se torna inabitável, pode parecer um processo da natureza, algo inevitável. Mas muitas vezes o clima em deterioração é resultado de escolhas ruins e atividade destrutiva, do egoísmo e da negligência, que colocam a humanidade em choque com a criação, nossa casa comum.”

*Com informações de Philip Pullella – Repórter da Reuters

com informações da Agência Brasil

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Onça-pintada: símbolo brasileiro de conservação da biodiversidade

Celebração terá dois atos em Foz: domingo (28), intervenção cultural na Feirinha da JK, e segunda (29), homenagem a Peter Crawshaw Jr., no Parque Nacional do Iguaçu

O dia 29 de novembro foi escolhido pelo Brasil para ser o Dia Nacional da Onça-Pintada. Trata-se de uma data para unir esforços em ações de divulgação sobre a importância ecológica, econômica e cultural dessa espécie que se tornou símbolo de conservação da biodiversidade do nosso país.

A realização do sonho de festejar e atrair especial atenção para a espécie, em uma data comemorativa, foi concretizada a partir da Portaria do Ministério do Meio Ambiente nº 8, de 16 de outubro de 2018, após esforços conjuntos do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e Onças do Iguaçu, projeto do Parque Nacional do Iguaçu.

O registro de novas onças mostra a qualidade ambiental e o equilíbrio do ecossistema do Parque Nacional do Iguaçu. A onça-pintada é uma espécie-chave para a manutenção da biodiversidade. Nos últimos dez anos, Brasil e Argentina trabalharam juntos no monitoramento da população de onças-pintadas da região com censos bianuais. Os esforços conjuntos de todos contribuíram para o crescimento do número de indivíduos na região.

Importância da onça para o planeta

Cenário diferente dos anos 1990, quando a população de onças-pintadas na região teve uma drástica redução, chegando perto da extinção local. O envolvimento das comunidades e o trabalho de todas as instituições, com cooperação de pesquisa, engajamento e fiscalização, estão contribuindo pouco a pouco para a melhora do quadro.

Entre o Parque Nacional do Iguaçu (Brasil) e o Parque Nacional Iguazú (Argentina), a espécie saltou de uma população efetiva estimada em 50 indivíduos em 2008 para 90 indivíduos em 2016. O Projeto Onças do Iguaçu e o Proyecto Yaguareté (Argentina) trabalham em uma parceria produtiva pela conservação das onças-pintadas na região, um exemplo de como dois países podem unir-se para salvar uma espécie.

O desafio é grande e permanente para toda a sociedade. Em toda a Mata Atlântica, estima-se uma população de apenas 250 onças-pintadas. A região tem a responsabilidade de manter essa população de onças, animais importantes para o equilíbrio de nossos ecossistemas, espécie considerada ainda o maior carnívoro das Américas.

*Conversa sobre onça com o povo* – No dia 28 de novembro, domingo, a equipe do Projeto Onças do Iguaçu vai estar com sua Barraca da Onça, na Feirinha da JK, no centro de Foz do Iguaçu. Para o local, os organizadores planejam intervenções com exposição, pintura de rosto, bate-papo sobre as onças, pintura para crianças e boas conversas. A atividade começará às 8h30 e seguirá até às 12 horas.

Memorial

Já na segunda-feira, 29 de novembro, o eterno amigo da onça, o pesquisador Peter Crawshaw, ganhará uma homenagem simbólica no Parque Nacional do Iguaçu. A antiga base de pesquisa do parque será batizada de Memorial Peter Crawshaw Jr. Peter, que morreu neste ano de 2021, foi o pioneiro no estudo das onças no Brasil e no Parque Nacional do Iguaçu. O resultado do seu trabalho até hoje orienta os esforços para a conservação das onças-pintadas no mundo.

Atuação local

O Onças do Iguaçu é um projeto institucional do ICMBio, desenvolvido em parceria entre o Parque Nacional do Iguaçu, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros e o Instituto Pró-Carnívoros. Sua missão é promover a conservação da onça-pintada como uma espécie-chave para a manutenção da biodiversidade do Parque Nacional do Iguaçu.

Apoio

As iniciativas do Dia Nacional da Onça em Foz do Iguaçu são uma realização do Parque Nacional do Iguaçu e Projeto Onças do Iguaçu com apoio do ICMBio, Cataratas S.A., Instituto Conhecer para Conservar e Prefeitura de Foz do Iguaçu.

(Parque Nacional do Iguaçu)

Ex-conselheiro de Trump se entrega ao FBI

O antigo conselheiro do ex-presidente norte-americano Donald Trump, Steve Bannon, entregou-se hoje (15) às autoridades, depois de ter sido indiciado por se recusar a colaborar na investigação sobre o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro.

Na última sexta-feira (12), soube-se que Steve Bannon, 67 anos, tinha sido indiciado por dois crimes de desacato, após ter se recusado a depor perante o comitê da Câmara dos Representantes que investiga o ataque ao Capitólio.

O primeiro crime diz respeito à recusa em testemunhar e o segundo à recusa em apresentar documentos. Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, esses crimes de desacato ao Congresso são puníveis com até um ano de cadeira e multa máxima de US$ 1 mil.

Agora, apenas três dias depois, o ex-conselheiro de Trump entregou-se diretamente ao Departamento Federal de Investigação dos EUA (FBI).

Ainda assim, manteve a postura desafiadora que sempre tem mantido, afirmando aos jornalistas: “Vamos derrubar o regime Biden. Quero que se mantenham focados. Isso é apenas ‘barulho”. Ele deverá se apresentar em breve ao tribunal federal.

O ex-estrategista da Casa Branca é uma das mais de 30 pessoas próximas do ex-presidente Donald Trump, que foram intimadas a testemunhar sobre os eventos de 6 de janeiro pelo comitê das Câmara dos Representantes.

Nesse dia, à mesma hora em que o Colégio Eleitoral votava para atribuir oficialmente a vitória das presidenciais norte-americanas ao democrata Joe Biden, apoiadores de Trump invadiram o edifício do Capitólio.

O incidente, ocorrido depois de o próprio Trump ter incentivado os seus apoiadores a se manifestarem, resultou em cinco mortos e dezenas de detidos. Levou ainda o Partido Democrata a avançar com um novo processo de destituição contra Donald Trump, que acabou por ser absolvido.

Desde então, o comitê do Congresso investiga o ataque. Em meados de outubro, o comitê aprovou, por unanimidade, a acusação contra Steve Bannon, por considerar “chocante” que ele tenha se recusado a colaborar nas intimações que procuravam documentos e testemunhas dos fatos de 6 de janeiro.

O mesmo poderá ocorrer em breve com Mark Meadows, ex-chefe de gabinete de Donald Trump, que também não quis prestar declarações à Câmara dos Representantes. Os investigadores do incidente de 6 de janeiro esperam que, com o indiciamento de Bannon, Meadows e as demais testemunhas mudem de ideias e aceitem depor.

De acordo com o comitê do Congresso, Steve Bannon “tinha conhecimento prévio substancial dos planos para 6 de janeiro” e, “provavelmente, teve papel importante na formulação desses planos”. No dia anterior ao ataque ao Capitólio, ele disse, no seu programa de rádio: “o inferno irá soltar-se amanhã”. Vinte e quatro horas depois, milhares de apoiadores de Trump invadiam o edifício.

Antes de deixar a Casa Branca em janeiro deste ano, Trump concedeu perdão presidencial a Bannon, libertando-o das acusações de ter influenciado os apoiadores do então presidente.

Depois disso, o ex-presidente dos EUA pediu aos seus antigos funcionários que todos se recusassem a testemunhar, garantindo que eles têm o direito de guardar informações devido ao “privilégio executivo”, um princípio legal que protege as comunicações de membros da Casa Branca.