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O veneno da CPI

De Fábio Campana, no Estadinho

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Grampo foi instalada ontem, na Assembléia Legislativa do Paraná. Mas terá vida curta e ninguém aposta em grandes resultados, a não ser aqueles que podem colocar a panela da Promotoria de Investigação Criminal (PIC) em fogo alto.

A oposição não participa. Compreende-se. Ela queria investigar o caso Razera para levar o governo ao máximo constrangimento. Pelo visto, o tiro saiu pela culatra.

Os deputados Antonio Anibelli e Jocelito Canto, presidente e relator da CPI do Grampo, são homens da confiança do governador Requião.

Eles já avisaram que requisitarão nos próximos dias as fitas que contêm escutas telefônicas ilegais para investigar a arapongagem dentro da PIC.

O objetivo é levantar se os policiais que estavam na PIC tiveram ou não responsabilidade no vazamento e distribuição de fitas com gravações e investigações feitas pela promotoria. A atenção principal é com as gravações do caso Razera, que se transformaram em munição da oposição na campanha eleitoral.

Outro alvo da rapaziada na CPI do Grampo é o ninho tucano. Parte das gravações do policial Délcio Razera atingiria o chamado núcleo ético do PSDB. Imaginem. Gravações de tucanos fazendo pedidos de propina, evidências do funcionamento de um caixa 2 e até a cobrança de uma doação de R$ 600 mil para a campanha de um deputado federal tucano reeleito agora em outubro.

Assim caminha a humanidade. A vontade do pessoal do PMDB é também de investigar a própria PIC, porque acredita que ela acabou se constituindo em instrumento político das oposições ao governo.

Há esperanças de que certos casos que ficaram nos arquivos voltem à tona. Entre eles, o do incêndio na promotoria e o envolvimento de membros da instituição em casos de extorsão, como o do criminoso “Mexicano” e o que envolve uma vetusta instituição superior de ensino privado.