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Morre Carrano, o bicho de sete cabeças

Morre Carrano, o bicho de sete cabeças

Morreu na tarde de terça-feira (27), aos 51 anos, o escritor Austregésilo Carrano Bueno. Ele estava internado desde segunda-feira (26), no Hospital das Clínicas, na Zona Oeste de São Paulo. Ele morreu às 17h40 em razão de uma infecção generalizada resultado de um câncer no fígado. O trabalho mais conhecido de Carrano foi o livro "Canto dos Malditos", que originou o filme "Bicho de sete cabeças" (2001), dirigido por Laís Bodanzky e que tinha Rodrigo Santoro no papel principal.

No livro, Carrano Bueno narrava supostos abusos praticados em centros psiquiátricos em Curitiba e no Rio, dos quais era interno. A obra foi lançada no começo dos anos 90, foi reeditada pouco depois da estréia do filme e teve sua comercialização proibida pela Justiça em 2002, a pedido da família de um psiquiatra. Foi recolhida das livrarias do país e só teve permissão para ser reeditada no ano passado.

Segundo seu relato autobiográfico, Carrano Bueno foi internado aos 17 anos, em 1974, após seu pai ter encontrado uma trouxinha de maconha nos seus pertences. Ele narra, então, que era submetido a sessões de eletrochoque e a tomar medicamentos fortes, além do relacionamento difícil com os funcionários dos centros em que estava internado.

Como conseqüência dos anos de internação, segundo ele, houve problemas de visão e seqüelas no crânio. Carrano Bueno tornou-se mais tarde um dos símbolos do movimento antimanicomial. Em outra ação, o hospital Bom Retiro e a Federação Espírita do Paraná entraram com uma ação para que ele não fizesse mais palestras ou desse entrevistas sobre anos em que passou internado em instituições. A família de Carrano aguarda a chegada do corpo em Curitiba, onde ele será velado e enterrado, no Cemitério Parque Iguaçu. A previsão é que o enterro ocorra por volta das 17h. O escritor deixou filhos, dois irmãos e a mãe, Maria Carrano, de 70 anos. (G1).

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