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LUTA PELO PASSE LIVRE EM CURITIBA CONTINUA, DIZ PRESIDENTE DA UPES

LUTA PELO PASSE LIVRE EM CURITIBA CONTINUA, DIZ PRESIDENTE DA UPES

A luta pelo passe livre aos estudantes de Curitiba prossegue nesta terça-feira (8), avisa o presidente da Upes (União Paranaense de Estudantes Secundaristas), Rafael Clabonde. Além de protestar em frente a prefeitura, os estudantes vão acompanhar a reunião da Comissão de Segurança Pública na Câmara de Vereadores. “A juventude vai às ruas para reivindicar o passe livre no transporte coletivo de forma mais intensiva”, avisa Clabonde.

O presidente da Upes sustenta que a burocracia da Urbs – empresa respon´savel pela administração do transporte coletivo em Curitiba e região metropolitana – exclui de muitos estudantes o direito já conquistado do meio passe. “O problema é que uma parte considerável dos pedidos emperra na burocracia da Urbs. Muitos estudantes não conseguem esse benefício”, disse Clabonde em entrevista na Boca Maldita de Curitiba.

E além da burocracia – conforme Clabonde – a Urbs não esclarece lucros e gastos, que até hoje não foram declarados a população. “Para onde que vai o dinheiro dos dois milhões de passageiros diariamente na capital?”. No ato da última quarta-feira (2), os estudantes quebraram a caixa preta da Urbs “para ver se essa patifaria acaba de uma vez por todas. A gente tem que ter acesso á isso porque é um direito do cidadão”, disse Clabonde. Leia a seguir a íntegra da entrevista.

A luta continua?

Rafael Clabonde – Continua. Agora cada vez mais intensificada. Os atos que aconteceram na quarta-feira com cenas truculentas por parte da Guarda Municipal mostrando toda sua irresponsabilidade e seu despreparo, não podem acuar, de forma alguma, aos estudantes que vão responder a altura. A nossa resposta não é com agressões como eles fizeram. A nossa luta agora é ganhar cada vez mais as ruas, intensificar as mobilizações.

Na terça-feira (8), vamos estar na Câmara onde vai ser recebida pela Comissão de Segurança, a Guarda Municipal, o comando da GM, e também o secretário municipal de Segurança. A juventude vai estar lá para ouvir o que eles têm para explicar, se é que eles têm que explicar alguma coisa.

Vamos desmistificar essas mentiras da Guarda Municipal que insiste em dizer que não utilizou spray de pimenta, que não utilizou instrumento de choque. Nós que estávamos lá, sentimos isso literalmente na pele. Não houve confronto com a Guarda Municipal. Os estudantes apanharam e a Guarda Municipal bateu. A verdade é essa.

Agora a nossa resposta e bater no seguinte: a violência que foi cometida vai ter que ter punições. Nós vamos cobrar isso.

Agora a maior violência é o número de estudantes que estão fora das escolas porque não tem o dinheiro da passagem. Aí eu quero ver a prefeitura se explicar por essa mazela que a sociedade coloca e exclui a juventude das escolas. É nessa tecla que a gente vai bater: para desmistificar quem bateu e quem apanhou. A juventude vai às ruas para reivindicar o passe livre de forma mais intensiva.

Como é que é essa luta? Como que está o passe livre, ele precisa ser ampliado ou ele não existe? Quantos alunos estão fora das escolas?

Clabonde – A Urbs hoje ela vai fazer o quê? Ela vai dizer, como já vem dizendo, que há o meio-passe e que há o passe-livre. É um direito enfeitado, uma maquiagem que já caiu para a gente. Nós não acreditamos mais porque um número muito pequeno de estudantes consegue ter acesso á esse benefício. Às vezes até o cidadão tem direito á tudo aquilo que está colocado lá. Ele até se encaixa naqueles parâmetros para conseguir o passe.

O problema é que emperra na burocracia e não consegue esse benefício. Há muitos estudantes hoje que não conseguem ter acesso a sua escola próxima à sua casa, devido ao número pequeno de vagas e que não conseguem ter acesso ás escolas do centro porque não tem os R$ 3,80 para pagar a passagem e acaba ficando fora dos bancos, tanto das faculdades, das universidades, quantos das escolas do ensino básico e médio. A evasão escolar na educação básica, ainda em Curitiba é um número até pequeno, agora nas universidades, o estudante, por exemplo, do ProUni, ele vai ter muita dificuldade de consegui ir até a universidade.

Por isso não basta garantir o acesso, tem que garantir a permanência do estudante na escola. O passe livre é um mecanismo e por isso que a nossa reivindicação pelo passe livre não só para os estudantes da escola pública, é também para os estudantes que estão nas universidades pagas pelo ProUni, pelos bolsistas e também para a galera da universidade. É esse pessoal que está mais excluído ainda por causa da passagem, que tem que trabalhar para poder pagar a sua passagem e fazer a faculdade á noite.

Agora é fato que hoje você pega o número dos estudantes da cidade de Curitiba é maior que a população de Londrina. São mais de 700 mil estudantes. Esse é um número para cidade de Curitiba que ainda é pequeno se contar os estudantes da região metropolitana. Há muita gente que está fora da escola. Essa política da Urbs não é a mais correta com a juventude. Há casos e casos de adolescentes que estão indo para o mundo do crime, são detidos, presos, vão para os chamados centros de reabilitação. Para a Urbs está sendo muito mais fácil empurrar o jovem ao crime de que colocar ele dentro das escolas. Então, temos que procurar as medidas para colocar os jovens dentro das escolas e umas dessas medidas é o passe livre porque ainda há muita gente que está fora da escola por que não tem esse benefício.

Os estudantes falam da caixa preta da Urbs, que caixa preta é essa?

Clabonde – Em 2006, as nossas manifestações resultaram numa comissão, formado pela Urbs e pelas empresas de ônibus, pela prefeitura e pelas entidades estudantis para fazer a discussão do que, as planilhas de gasto da Urbs que há muito tempo estão escondidas.

Eu não sei qual é o medo da Urbs de esconder essas planilhas, esconder para aonde que vai o lucro das 28 empresas de transporte público de Curitiba, para aonde que vai o dinheiro dos dois milhões de passageiros diariamente na capital?

São dados que a gente não sabe e não refletem na qualidade do transporte coletivo. Está longe dizer hoje que o transporte de Curitiba é referência. Isso já ficou para trás. A gente não acredita mais nisso. Quem pega ônibus sabe muito bem que não mais essa a realidade da capital.

A gente quer saber da Urbs, aonde que está indo esse dinheiro porque não possível, não está sendo investido no transporte público, quem pega ônibus sabe muito bem do que eu estou falando. Cadê essas planilhas de custo da Urbs? Por que que não abrem isso? O que afinal que a Urbs tanto esconde?

Por que eles temem que a população fique sabendo quanto que entra e quanto que sai? Porque na prática isso não acontece. Eles escondem da gente e a gente fez simbolicamente na Boca Maldita, a quebrada da caixa preta da Urbs para ver se essa patifaria acaba de uma vez por todas para a gente ter acesso á isso porque é um direito do cidadão.  

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