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Depois do sono e dos sonhos…‏ – por Rogério Bonato

Para todos os meus amigos queridos, as pessoas que verdadeiramente amo; aos que eu amo de paixão, amo por devoção e também por obrigação. Ser obrigado a amar, pode não ser tão ruim, como são outras obrigações.

Aos conhecidos, com quem de alguma forma desfrutei um pouco daquilo que convencionamos como “relação humana”; aos que me reencontraram depois de anos, quando é uma dádiva o ato de reencontrar e ajudar a se reencontrar; aos que eu simplesmente cumprimentei, até mesmo sem razão – diante do preceito da educação ao se cumprimentar; piscar um olho, esboçar um sorriso; fazer um pequeno e descontraído gesto amistoso.

Aos que de qualquer forma me conhecem, e, já ouviram falar sobre mim e que ainda, pela força do destino, não tive a honra de conhecê-los; aos que não desejam me conhecer e até manifestaram isso para algumas pessoas; aos que não me querem de jeito algum; aos que não gostam das minhas ideias escritas, ditas, filmadas, encenadas, projetadas e que, acabaram vazando, muitas vezes involuntariamente, eu vazo mesmo. Desculpem-me.

Aos que eu simplesmente quis conhecer e não aceitaram; aos que me odeiam e não deixarão de me odiar; aos que se consideram meus inimigos, neste caso aos que consideram assim, pois eu não os tenho desta forma. Eu não tenho “inimigos”; aos que desejam se aproximar, derivadas os interesses; aos que fogem de mim, como o diabo da cruz; aos que fiz rir e mais ainda, aos que eu fiz chorar, ou aos que eu faço assim, chorar…

…eis a minha mensagem de final de ano:

Acabei de voltar do jornal, exatamente às 22 horas e 20 minutos. Lá joguei na lixeira tudo o que não usarei e nem necessitarei em 2013. Faço isso todos os anos. As máquinas não estavam rodando e só não havia um silêncio funerário, pelo fato dos afoitos queimarem fogos antecipadamente; queimam dinheiro.

Passei no supermercado em busca de um sanduíche. Não resisti e comprei um pacote de lentilhas e uns poucos condimentos. Nunca fiz lentilhas, a Arlete às preparava deliciosamente; pensei em convidá-la, mas ando muito envergonhado. Minhas agruras pelo momento, não merecem o perdão ou eu, não queira ser perdoado. Mas eu confesso, dispensei seis convites para atravessar o ano e neguei gentilmente cada um, sem causar mágoas. É uma arte recusar convites assim.

Meus finais de ano tem sido solitários e eu não parei para pensar na razão e tampouco discernir sobre solidão ou solitude. Creio seja a solitude; solidão é essencialmente cruel, até para as almas penadas.

Encostei a mão na porta e fui recebido pelo meu gato. Fiz carinho e como o vilão da novela eu disse: “vou brindar a passagem de ano com você, Fernando!”.

Não perdi tempo com o show da virada, nem em olhar pela janela se havia fogos coloridos, apenas me sentei em frente ao computador e comecei a escrever esta mensagem.

Em paralelo, imaginei cada uma das pessoas que conheço e de que forma estariam se preparando para a celebração de mais uma no. Lembrei muitos dos meus finais de ano. Peraí! O celular não para de apitar mensagens, muitas, de números que não reconheço. Qual a razão das pessoas não assinarem os votos de “felicidade”? Bom também não assinam os de tristeza. No fim é bacana isso, de desejar sucesso e bons presságios, sem se identificar. Bonito nada, é lindo!

Entre abraçar o gato e chegar até aqui, em meu texto, a panela de pressão cheirou queimado e lá se foi a lentilha. Ficou toda grudada, com aspecto de doce japonês; virou numa massa brilhante e gosmenta. Fernando apreciará muito mais do que eu; pensará que foi feita para ele!

Estou encerrando… minha escrita não é triste e também não estou assim. Por favor acreditem. Estou mais do que nunca esperançoso; de olhos bem abertos e pensando no futuro, que depois do meu sono e sonhos, começará amanhã. O futuro será um ato delongado entre o baixar e o subir das minhas pálpebras. Imagina? Mas ele começará amanhã, e bem cedo.

Um bom futuro para todos, aqui vai o meu abraço feliz para todo mundo. Aqui vai o meu Feliz Ano Novo!