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Coamo ganha prêmio Valor 1000 pela 9ª vez

 

A cooperativa Coamo Agroindustrial, com sede em Campo Mourão, Centro-Oeste do Paraná, foi eleita campeã na categoria Agropecuária do prêmio Valor 1000, que reconhece 25 empresas brasileiras que se destacaram em seus setores no ano passado. Na 19ª edição do prêmio, essa é a 9ª vez que a cooperativa paranaense conquista o reconhecimento. As informações são da Gazeta do Povo.

O anúncio dos vencedores foi realizado na noite de terça-feira (20) em São Paulo, em evento que contou com a presença de autoridades como o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia e do ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Outra empresa do Paraná, a Berneck, do setor madeireiro, conquistou o primeiro lugar na categoria Materiais de Construção e de Decoração.

Fundada em 1970, a Coamo tem na soja sua principal fonte de renda. Em 2018, em meio ao aumento nacional de produção do grão, o bom preço da commodity e o câmbio favorável à exportação, a cooperativa registrou um faturamento de R$ 14,8 bilhões, 34% acima do realizado em 2017. Foi o maior avanço da história da empresa.

Além de a colheita de soja ter crescido na safra de 2018, os volumes movimentados pela Coamo também aumentaram graças a uma estratégia de proteção às oscilações de preços que os associados adotam. Em 2017, eles seguraram parte da colheita de olho na tendência de alta de preços com a quebra da safra argentina. Foram 46 milhões de sacas de 60 quilos, que ajudaram a turbinar o faturamento do grupo no ano seguinte.

Com 119 unidades localizadas em 71 municípios dos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, a cooperativa recebe a produção de mais de 28 mil associados, que, por sua vez, dividem as chamadas ‘sobras’, uma espécie de dividendos, repassados anualmente em duas parcelas. Além disso, emprega diretamente 7.838 funcionários efetivos.

A cooperativa liderou as exportações paranaenses em 2018, com o recorde de 4,6 milhões de toneladas de produtos, que representaram um faturamento de US$ 1,8 bilhão, o maior de sua história.

Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente da Coamo José Aroldo Gallassini avaliou que a guerra comercial entre China e Estados Unidos deve continuar a beneficiar o agronegócio brasileiro. “Não acredito que essa briga vai continuar muito, eles vão negociar, e quando isso acontecer haverá um equilíbrio [na demanda chinesa pela soja americana e brasileira] e o benefício que nós temos hoje poderá diminuir”.

Ele disse acreditar, no entanto, que a oleaginosa brasileira ainda deve se manter atrativa para os chineses. “Enquanto o acordo não acontecer e mesmo nos meses posteriores a ele, haverá um interesse pelo produto brasileiro por uma questão de garantia.”

Quase 50 anos de história
O nascimento da Coamo está ligado ao fim do ciclo da madeira no Centro-Oeste do estado, no final da década de 1960. Os solos ácidos da região desafiavam a pesquisa. Enquanto isso, a soja ganhava terreno a partir do Sul do país. “As terras aqui eram fracas e muito baratas. O pessoal começou a comprar terra e abrir. Com um salário baixo da época dava para comprar 6 alqueires por mês”, disse Gallassini à Gazeta do Povo por ocasião da conquista do Prêmio Bem Feito no Paraná.

“Vim para cá como funcionário da extinta Acarpa e atual Emater para fazer um levantamento de campo. Criamos um grupo de discussão, de técnicos, e decidimos criar a cooperativa, num terreno cedido pela prefeitura”, lembrou. Os primeiros testes de plantio foram com o trigo. Após superar uma fase crítica, de erosões no solo, com o plantio direto na palha, a região passou a apostar na soja.

Em 2018, a Coamo respondeu por 3,2% da produção brasileira de grãos. Segundo a cooperativa, sua estrutura permite armazenagem até 6.408.645 toneladas para o atendimento das necessidades dos associados. Além da soja, recebe produção de milho, trigo, café e outros.

A cooperativa dispõe ainda de um parque fabril, composto por indústrias de esmagamento de soja, fábrica de margarinas e gorduras vegetais, indústria de óleo de soja refinado, fiações de algodão, moinho de trigo e torrefação e moagem de café. Em Paranaguá, no litoral, mantém terminal marítimo.

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