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Atrasos de vacinas e de medicamentos pelo governo federal preocupam o Paraná

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Atrasos de vacinas e de medicamentos pelo governo federal preocupam o Paraná

A Secretaria Estadual da Saúde participou nesta quarta-feira (24) da assembleia do Conselho Nacional de Secretários Estaduais da Saúde e relatou a preocupação do Paraná com os constantes atrasos na entrega de medicamentos, vacinas, soros e insumos pelo Ministério da Saúde. A superintendente de Vigilância em Saúde, Cleide Oliveira, levou a Brasília o relatório de pendências do Governo Federal com o Paraná.

“Desde 2014, o Paraná, como os demais estados, vem sofrendo com a redução do número de doses de vacinas, soros e medicamentos enviados pelo Ministério da Saúde, o que vem causando desabastecimento e descontinuidade de tratamentos”, disse Cleide.

Ela explicou que a Secretaria de Saúde vem adotando estratégias de remanejamento dos imunobiológicos e de otimização das doses para atender a demanda dos serviços de saúde na área de imunização, por exemplo, porém os constantes atrasos têm causado dificuldades em manter a oferta regular necessária para a cobertura vacinal indicada.

MENOR ENTREGA – Um exemplo é a vacina contra Hepatite B, que deve estar disponível nas unidades de saúde para toda população, segundo critério definido pelo Ministério da Saúde. Do montante solicitado pelo Programa Estadual de Imunização, o Estado só recebeu 39% e o mesmo percentual para a vacina contra a Hepatite A. No caso da Tetraviral, vacina aplicada aos 15 meses de vida da criança que protege contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela, o Paraná só recebeu 26% do solicitado.

“Temos orientado as equipes de saúde para fazer busca ativa das crianças que estão na idade de receber as vacinas para não perder doses, mas ainda assim temos enfrentado dificuldades para atender todas as famílias e manter o esquema vacinal completo para garantir uma imunização adequada”, explica o coordenador do Programa Estadual de Imunização, João Luis Crivellaro.

MEDICAMENTOS – Vários medicamentos de alto custo, cuja responsabilidade de aquisição é do Ministério da Saúde, também têm sofrido diversos atrasos nas entregas. O que chama mais a atenção são itens como tratamentos para Hepatite B e C, medicamentos para evitar rejeição de órgãos transplantados e para artrite reumatóide, entre outros.

HEPATITE C – A diretora do departamento de Assistência Farmacêutica, Deise Pontarolli, explica que em junho de 2015 foi publicada a portaria MS nº 29/2015 incorporando três novos medicamentos para tratamento de Hepatite C – o Sofosbovir, o Simeprevir e o Daclatasvir, que são adquiridos de forma centralizada pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos Estados para entrega aos pacientes que atendem ao Protocolo Nacional de Hepatite C e Coinfeções.

“Coube aos estados cadastrar os pacientes que se enquadram no protocolo e informar a necessidade de tratamentos. Esse cadastro tem sido feito desde então, mas até agora só recebemos uma remessa para atender 276 pacientes, sendo que temos uma fila de mais 810 pessoas à espera dos novos medicamentos incorporados pelo Governo Federal”, disse Deise.

INSETICIDA – O Paraná também não tem recebido o volume solicitado do inseticida utilizado no combate ao mosquito Aedes aegypti. A compra do Malathion, usado no fumacê, é centralizada pelo Ministério da Saúde. Em dezembro de 2015, O Centro Estadual de Vigilância Ambiental solicitou 10 mil litros do inseticida e recebeu apenas 8 mil em 1º de fevereiro. Com o aumento do numero de cidades em epidemia, no dia 29 de janeiro já havia sido solicitado mais 16 mil litros, sendo que até esta quarta-feira (24) somente 4 mil litros havia sido entregue.

“Em momentos de epidemia, é inevitável utilizar a estratégia do fumacê para eliminar o mosquito adulto. O Paraná tem uma política rígida para liberação do fumacê, mas é importante que tenhamos o insumo para evitar o agravamento da situação em municípios com alta infestação e com grande circulação viral”, destaca a chefe do Centro Estadual de Vigilância Ambiental, Ivana Belmonte.

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