Após escândalos, ações da Petrobras fecham ano com queda de 37%

Bovespa teve um recuo de 2,9% em 2014. Já o dólar comercial subiu 12,9% e chega ao fim do ano cotado a R$ 2,66

No último pregão do ano, a Bolsa brasileira não conseguiu se segurar em terreno positivo e fechou em queda, o que reflete o seu desempenho no ano. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 1,16%, 50.004 pontos, puxada pelo cenário de mau humor externo. No mês, o indicador acumulou queda de 8,6% e, no ano, uma variação negativa de 2,9%. As ações da Petrobras registraram queda no último pregão do ano.Os papéis preferenciais (sem direito a voto) da estatal registraram recuo de 2,52%, a R$ 10,02. Já os ordinários (com direito a voto) tiveram queda de 2,52%, a R$ 9,67. No ano, as ações da petrolífera caíram, respectivamente, 37,6% e 37,9%.

Já o dólar comercial apresentou desvalorização de 1,69% diante o real, a R$ 2,660 na compra e a R$ 2,662 na venda, o que fez a divisa, ao menos por enquanto, abandonar a casa dos R$ 2,70. No mês,a moeda americana subiu 3,5% e, no ano, 12,9%.

O dólar perdeu força no mercado global, o que ajudou na desvalorização da divisa no Brasil. Além disso, a cotação dessa terça-feira é a base para a liquidação de contratos futuros e derivativos que vencem em dezembro. Normalmente, em todo final de mês há uma “briga” entre os investidores que apostam na alta e os que apostam na queda das cotações. “O dólar operou com uma direção bem definida. A intenção dos vendidos (que apostam na queda) se sobrepôs sobre os comprados”, afirmou, em relatório, Ricardo Gomes da Silva Filho, economista da Correparti Corretora de Câmbio.

Durante o pregão, os investidores aguardavam ainda sinalizações do Banco Central sobre as regras para o programa de swap (que equivalem a uma venda de moeda no mercado à vista) em 2015. Após o fechamento dos negócios, a autoridade monetária anunciou que os leilões diários serão mantidos ao menos até o dia 31 de março e o valor ofertado será de US$ 100 milhões.

Já no mercado acionário, Marco Aurélio Barbosa, analista da CM Capital Markets, avalia que, embora o pregão não tenha sido animado, a perspectiva é positiva para o início de 2015.

— Se olharmos para frente, vemos que o governo está se mexendo no campo fiscal, o que é positivo no curto prazo. Por outro lado, teremos dificuldades para aprovar as medidas necessárias no Congresso. E tem a Petrobras, que a situação ainda é preocupante — avalia.

AJUSTE NA ÁREA FISCAL

A queda na Bolsa no pregão dessa terça-feira se acentuou após a abertura dos negócios nos Estados Unidos, em que os números sobre a confiança do investidores vieram abaixo do esperado. As preocupações com a situação na Grécia também contribuíram para o mau humor. O giro financeiro no último pregão do ano ficou um pouco abaixo da média do mês anterior. O giro financeiro foi de R$ 5,4 bilhões, ante acima de R$ 6 bilhões em novembro.

Os investidores e analistas viram como positivas as medidas anunciadas pelo governo federal na segunda-feira à noite em relação aos benefícios sociais. Ajustes na concessão de pensão e seguro desemprego têm o potencial de economizar R$ 18 bilhões ao ano nas contas da Previdência Social, segundo contas feita pelo governo.

Mas a Petrobras continuou pesando, dessa vez com os investidores preocupados com a possibilidade da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) estar envolvida nas denúncias de corrupção. Além disso, há a expectativa que a estatal publique até janeiro seu balanço do terceiro trimestre, mesmo sem a aprovação da auditoria independente, para evitar a ação de detentores de seus títulos de dívida no exterior.

Os papéis preferenciais (sem direito a voto) da estatal registraram recuo de 2,52%, a R$ 10,02. Já os ordinários (com direito a voto) tiveram queda de 2,52%, a R$ 9,67. No ano, as ações da petrolífera caíram, respectivamente, 37,6% e 37,9%.

Mas entre as maiores quedas no pregão estiveram as ações do setor de educação, que estiveram no ano entre as preferências dos investidores. A Kroton registrou recuo de 6,515 e a Estácio caiu 7,13%. O motivo foi a mudança, por parte do Ministério da Educação, das regras para acesso ao Prouni e Fies.

O analista Bo Williams, da Clear Corretora, lembrou que a baixa volatilidade do último pregão do ano esteve atrelada à falta de notícias que possam impulsionar as decisões de compra ou venda.

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— As melhores oportunidades para os investidores é quando o mercado tem direção ou força. Nesse pregão não tivemos uma coisa e nem outra — avaliou.

BOLSAS NA EUROPA OPERAM EM QUEDA

O comportamento no Brasil segue os principais índices globais. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, teve recuo de 1,22%. Já o CAC 40, da Bolsa de Paris, teve desvalorização de 1,68% e o FTSE 100, de Londres, caiu 1,30%. A queda na Europa está atrelada à queda no preço do petróleo e às preocupações em relação à Grécia. Nos Estados Unidos os principais indicadores também operam em terreno positivo, principalmente após o índice de confiança do consumidor ter ficado um pouco abaixo do esperado. O Dow Jones recua 0,36% e o S&P 500 registra desvalorização de 0,48%. As Bolsas nos Estados Unidos operam até as 19h (horário de Brasília).

Nos próximos pregões, a maior influência do lado externo deve vir da China. Medidas de estímulos no país asiático podem ajudar na valorização dos ativos brasileiros, em especial os de empresas exportadoras de matérias-primas.

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Câmara aprova projeto que exige fisioterapeuta em CTI em tempo integral

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (4) o Projeto de Lei 1985/19, da deputada Margarete Coelho (PP-PI), que disciplina a permanência de fisioterapeutas em Centros de Terapia Intensiva (CTIs) adulto, pediátrico e neonatal. A matéria será enviada ao Senado.

Em seguida, a sessão da Câmara foi encerrada.

O texto foi aprovado na forma de um substitutivo da deputada Aline Sleutjes (PSL-PR), cujo relatório foi lido em Plenário pela deputada Maria Rosas (Republicanos-SP).

A única mudança no texto retira a quantidade mínima de profissionais, que era de um para cada dez leitos. Entretanto, continua a determinação de que a presença do fisioterapeuta deverá ser ininterrupta, nos turnos matutino, vespertino e noturno, perfazendo um total de 24 horas.

A disponibilidade em tempo integral para assistência aos pacientes internados nesses centros de terapia intensiva deverá ser durante o horário em que o fisioterapeuta estiver escalado para atuar nesses locais.

“Pelo grau de importância do fisioterapeuta para o restabelecimento das pessoas internadas, a presença constante desse profissional é essencial, pois ele reduz o número de dias de internação, ainda mais nessa época de Covid-19”, afirmou a autora da proposta.

Próximas votações
Os deputados voltam a se reunir em sessão deliberativa virtual na próxima terça-feira (9), às 13h55, com pauta a ser divulgada após reunião de líderes a ser realizada às 10h30 desta sexta-feira (5).

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Câmara dá prioridade para mãe chefe de família no auxílio emergencial

Texto vai agora para análise do Senado

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (2) projeto de lei que dá prioridade de recebimento do auxílio emergencial às mães chefes de família, quando o pai também informa ser o responsável pelos dependentes. A matéria segue para análise do Senado. As informações são da Agência Brasil.

Pelo texto aprovado, caso haja conflito entre as informações prestadas pela mãe e pelo pai, a preferência de recebimento das duas cotas de R$ 600 será da mãe, ainda que sua autodeclaração na plataforma digital tenha ocorrido depois daquela feita pelo pai.

“Apenas 3,6% das famílias brasileiras tinham uma configuração com homem sem cônjuge e com filho, segundo o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], e mais de 80% das crianças no Brasil têm como primeiro responsável uma mulher”, afirmou a relatora do projeto, deputada Professora Dorinha (DEM-TO).

O projeto determina que o homem com a guarda unilateral, ou que seja responsável, de fato, pela criação, poderá questionar as informações da mãe de seus filhos na mesma plataforma e receber uma das cotas de R$ 600 até que a situação seja esclarecida pelo órgão competente.

“O machismo que as mulheres já sofrem cotidianamente na nossa sociedade vemos novamente expresso quando maridos, que nunca se responsabilizaram pelo cuidado dos filhos, agora requerem o auxílio emergencial em nome da família. Trinta milhões de famílias brasileiras são chefiadas por mulheres e 56% são famílias pobres”, disse uma das autoras da proposta, a deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS). 

Após várias denúncias de mulheres que enfrentaram problemas para receber o benefício após uso indevido do CPF dos filhos pelos pais, o trecho que permitia o recebimento do valor em dobro foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a proposta resgata a possibilidade de concessão do benefício aos pais, com a prioridade para a mãe chefe de família. 

“Muitas mulheres brasileiras de baixa renda enfrentam ainda a violência patrimonial perpetrada por homens sem escrúpulos que, indevidamente, utilizaram e utilizam os CPFs dos filhos menores, que são criados unicamente pelas mães, para acessarem o auxílio emergencial. Isso tem causado enormes prejuízos para essas batalhadoras, além de colocar em risco a sua segurança alimentar e a dos seus dependentes”, afirmou Professora Dorinha.

Duas cotas

O auxílio emergencial foi criado para amenizar os efeitos das medidas de distanciamento e isolamento social necessárias para o enfrentamento da rápida propagação da covid-19. A iniciativa destina o auxílio emergencial de R$ 1,2 mil para mães chefes de família pelo período de três meses.

O texto também determina que a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – Ligue 180 crie uma opção específica de atendimento para denúncias de violência e dano patrimonial para os casos em que a mulher tiver o auxílio emergencial subtraído, retido ou recebido indevidamente por outra pessoa.

No caso de pagamentos indevidos do benefício emergencial ou realizados em duplicidade por informações falsas, os responsáveis deverão ressarcir os valores recebidos indevidamente ao Poder Público.

*Texto alterado às 21h53 para corrigir os nomes das deputadas.