Ricardo Noblat

O presidente Michel Temer decidiu substituir todos os ministros que pretendam disputar as próximas eleições. Não abrirá exceção. A reforma do seu governo deverá estar concluída até meados de dezembro.

A não ser que desistam de ser candidatos, deixarão o governo, entre outros, Henrique Meirelles (PDS) da Fazenda, Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores, e Blairo Maggi (PP), da Agricultura.

E também: Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia, Ricardo Barros (PP), da Saúde, Mendonça Filho (DEM), da Educação, Maurício Quintella (PR), dos Transportes e Raul Julgmann (PPS), da Defesa.

Foi na semana passada que Temer bateu o martelo em torno de uma reforma ministerial ampla, geral e irrestrita. Ontem, conversou a respeito com o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PP).

A reforma serve ao propósito de Temer de recompor sua base de apoio no Congresso que murchou ao longo dos últimos meses. Na Câmara, ela já reuniu algo como 359 deputados. Hoje, cerca de 240.

Nada que o governo imagine fazer, e que implique em mudança na Constituição, será possível sem o apoio de pelo menos 342 deputados. É o caso, por exemplo, da reforma da Previdência.

Temer antecipou a reforma que obrigatoriamente seria feita até 30 de abril próximo. Pela lei, até essa data, ministro que queira concorrer às eleições teria de pedir demissão.

A dispor de um governo novo somente a partir de maio, Temer prefere celebrar a chegada de 2018 com um novo governo. A ser abandonado em breve pelo PSDB, Temer prefere abandoná-lo antes.

A partir de hoje, Temer receberá em audiência os demais presidentes de partidos que apoiam o governo, além de líderes da Câmara e do Senado. Brasília está vazia por conta do recesso informal do Congresso.

Voltará de imediato a se encher de políticos interessados em participar das negociações para a formação do novo ministério. Alguns, ainda ontem em seus Estados, já foram convocados.