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Após leilão, PT deve falar menos de privatização

27 de outubro de 2013
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por Ricardo Mendonça, na Folha de S.Paulo

O bilionário leilão para exploração de petróleo no campo de Libra esquentou o debate sobre privatizações e o papel do Estado na economia. Mas, ao contrário do que ocorreu em 2010 e 2006, o PT dificilmente colocará o assunto no centro da disputa eleitoral do ano que vem.

A opinião é compartilhada por dois personagens da órbita petista que lidam com o tema a partir de diferentes ângulos: um alto dirigente do partido e um técnico especializado no setor de energia.

Para o vice-presidente nacional do PT, Alberto Cantalice, faz pouco sentido para a sigla insistir no tema em 2014 porque “a população colocou novas pautas” no debate a partir dos protestos de junho.

“Além disso, tem uma geração aí que não viveu aquele período dos anos 90 em que as privatizações significavam desnacionalização do patrimônio público, quando entregavam o controle absoluto das estatais à iniciativa privada.”

O físico Luiz Pinguelli Rosa, presidente da Eletrobrás no governo Lula, concorda que o tema não terá o mesmo apelo. Mas por outra razão: “Dessa vez vai ser menos presente porque a presidente Dilma [Rousseff]está fazendo todas essas concessões de aeroportos, portos…”

Conforme esse raciocínio, as políticas adotadas pelo governo não permitirão mais que a propaganda petista trate do assunto com tanta desenvoltura.

O consórcio de Libra, por exemplo, é liderado pela Petrobras com 40%. Mas quatro estrangeiras ficaram com os outros 60%. A anglo-holandesa Shell e a francesa Total têm 20% cada. As chinesas CNPC e CNOOC ficaram com 10% cada.

Um indício de como será o discurso petista foi o pronunciamento de Dilma na TV. Após dizer que 85% de toda a renda a ser produzida “vão pertencer ao Estado brasileiro e à Petrobras”, fez questão de ressaltar: “Isso é bem diferente de privatização”.

É uma forma bem mais defensiva do que a adotada nas últimas campanhas. Em 2006, por exemplo, os petistas passaram todo o segundo turno dizendo que o rival Geraldo Alckmin (PSDB) iria privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, o que sempre foi negado.

A propaganda contou com a ajuda do rival, que demonstrava dificuldade para responder. Uma foto de Alckmin com uma jaqueta com os logotipos das principais estatais virou símbolo desse período.

Se sugeriu um estilo menos agressivo do PT, o leilão de Libra revelou que os tucanos ainda têm dificuldades com o tema. Em declarações públicas, os principais líderes do PSDB demonstraram pouco entrosamento.

Enquanto o senador Aécio Neves (PSDB-MG) falava em “um fracasso” que custará “muito caro” ao Brasil, Alckmin, agora governador de São Paulo, elogiava: “Eu acho que foi bem, na medida que avançou”, disse. Já o ex-governador José Serra foi por uma terceira via: “O que houve aí foi para atender a um cartel que eles mesmos organizaram”.

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