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Lerner projeta bairros planejados para cidades de Santa Catarina

11 de janeiro de 2019
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Aléxia Saraiva, Haus, Gazeta do Povo

As cidades catarinenses de Joinville, Navegantes e Porto Belo vão ganhar, nos próximos anos, novos bairros planejados que levam a assinatura do escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados (JLAA), com Carlos Oliveira Perna no paisagismo. A iniciativa é da empresa Vokkan Urbanismo, que investirá um total de R$ 300 milhões na construção de uma infraestrutura completa em regiões que têm demanda e potencial de crescimento. Os projetos levam a marca VivaPark, nome dado por conta do protagonismo ambiental do plano urbanístico. Os três bairros somam uma área de 600 hectares, o equivalente a cerca de 850 campos de futebol.

A primeira cidade a receber as obras será Porto Belo, em uma área de 50 hectares na entrada pela BR 101. O novo bairro tem previsão para 6 mil habitantes, divididos em cerca de 2 mil unidades habitacionais. Com o projeto mais avançado e sendo viabilizado junto à prefeitura da cidade, a expectativa da incorporadora é de que as obras comecem já em julho, e que em agosto as áreas estejam disponíveis para comercialização.

Em Navegantes, a área é maior: com 250 hectares, está sendo projetada para 60 mil habitantes e 18 mil unidades habitacionais. A previsão das obras é para o início de 2020, com comercialização em julho do mesmo ano.

Já Joinville é a cidade que recebe o maior aporte: a área tem 300 hectares, e pelo tamanho do terreno ainda está em processo de negociação — por uma questão da legislação da área, que precisa mudar de zona rural para urbana, os projetos urbanísticos ainda não foram iniciados. No entanto, a incorporadora prevê que ela comporte de 50 e 60 mil habitantes, com previsão de obras para o início de 2021.

Segundo Rafael Kirchner, sócio da Vokkan, as áreas escolhidas são resultado de dois estudos feitos junto às empresas Brain Bureau de Inteligência Corporativa e Urban Systems Brasil. “O que interessa para construir bairros planejados são um entorno populoso e com demanda. Essas cidades são as que mais estão crescendo, as que mais absorveram imóveis nos últimos cinco anos e nas quais as pessoas sentem falta de qualidade de vida de onde morar“, explica.

Sustentabilidade, integração e diversidade
Segundo os arquitetos coordenadores do projeto, Débora Ciociola e Felipe Guerra, o planejamento dos bairros segue os pilares que são marca registrada de Jaime Lerner. “A gente tem como ponto de partida a questão ambiental do terreno — como ele se insere nas questões de drenagem, solo e vegetação“, explica Guerra. “Isso é importante especialmente em projetos em Santa Catarina, já que são terrenos facilmente alagáveis. Por isso, os bairros levam parques que funcionam como um reservatório de água, em que ela sobe e desce conforme a necessidade”.

Tanto nos projetos de Porto Belo como no de Navegantes, que já estão em fase avançada, os bairros preveem parques que concentram espaços públicos de convívio da população, cada qual seguindo suas próprias características regionais. Tais soluções, inclusive, lembram as adotadas pelo então prefeito Jaime Lerner em alguns parques de Curitiba.

No de Navegantes, por exemplo, há uma área de preservação ambiental que se integra com o parque em si. “A gente criou esse grande parque com uma borda de uso que conta com ciclovia e ambientes de quiosque. A área verde vai ‘derretendo’ por dentro do bairro, criando estrias, com outros pequenos parques interligados. A ideia é pulverizar os espaços verdes ao longo de toda a nova área, porque assim todo mundo pode morar perto do parque”, explica Ciociola.

Os bairros terão mistura de usos e atividades. Para isso, a ideia a ser aplicada é a de “acupunturas urbanas”, conceito que é uma das marcas de Lerner. “Além de criar endereço, o lugar vira uma referência, as pessoas memorizam o lugar por conta do equipamento. O projeto ainda está no meio do caminho, mas o parque de Porto Belo prevê um espaço de evento culturais para apresentações musicais. O parque será uma espécie de ‘mini Inhotim’, misturando a questão ambiental com a artística“, revela a arquiteta.

Abertura para o mercado local
Guerra explica que a premissa do projeto urbanístico é de que o bairro se integre gradualmente à malha urbana da cidade. No entanto, para crescer, é necessário que os investimentos venham de vários lados. As apostas são de longo prazo: depois de construída a infraestrutura do bairro em si, a área será absorvida pelo mercado. Rafael Kirchner prevê que isso aconteça ao longo dos próximos 20 anos.

Por isso, para a incorporação dos futuros empreendimentos e para os projetos executivos do que já está previsto no papel, a Vokkan conta com o interesse dos profissionais da região. “O escritório [Jaime Lerner Arquitetos Associados] funciona como um grande maestro. Você precisa de uma rede de arquitetos que falem a mesma língua”, diz Guerra. “É um maestro que conduz e deixa o projeto harmônico, criando uma sinfonia“, completa Ciociola.

Como as negociações ainda estão em andamento, as prévias dos projetos não foram divulgadas pela Vokkan.

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