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Classe Política…?

18 de junho de 2018
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Aloisio Nascimento

E difícil não se deparar com o termo classe política na imprensa nacional, em especial afirmando que necessitamos de uma nova classe política, e pior afirmam que a comunidade política atual esta comprometida por completo com o descaminho, infligindo os valores éticos e morais. Diante dos fatos resolvi analisar esta conjuntura.

A política nunca foi tão demonizada, aterrorizada, até mesmo exposta, ao ponto de pensarmos que é algo apenas para eles e nunca para nós, tornou-se algo dos outros e não da gente. É verdadeiro que no Brasil a participação política nunca foi um valor prioritário da sociedade, mas nos últimos anos a marginalização se aprofundou, a tal maneira que falar-se de política em público tornou-se inconveniente, algo particular apenas para os extremistas, mas não do bojo do social.

Pensar em política é pensar na governança de um povo e no Brasil temos o modelo presidencialista, acompanhado da democracia representativa, pois designamos cidadãos para nos representar na Arena Política, partindo do principio da designação podemos concluir que o espaço de poder é um reflexo das forças organizadas da sociedade, as quais conseguiram conquistar acento no parlamento e assim influir nas decisões políticas, sendo isto verdadeiro, será correto afirmar que necessitamos uma nova classe política?

Confesso que acho perigoso, porém o debate público argumenta que o Brasil é vitima da corrupção da classe política. É relevante reconhecer o desserviço de alguns homens e mulheres que exercem os cargos públicos, mas me ocorre o fato de que para ser corrupto, necessariamente eu tenho que ter o corruptor e se tratando disso creio que a inclusão em nossas avaliações do papel do corruptor na corrupção, faz que nosso horizonte de analise amplie-se não se tratando apenas de homens e mulheres publicas “os políticos”, mas sim de um espectro muito maior da sociedade, será que não deveríamos avaliar também advogados, empresários, engenheiros, agricultores, doleiros, motoristas, médicos, empreiteiros, administradores, economistas e tantas outras denominações profissionais?Acho que realmente daria mais trabalho, sendo mais fácil acusar a quem é mais vulnerável perante a sociedade, os políticos.

Trocar apenas uma engrenagem do mecanismo não é garantia de sucesso, porem não quero aqui pregar a revolução apenas dizer que se realmente queremos uma “nova política”, necessariamente teremos que ter um novo comportamento dos elementos vivos da sociedade, pois a ética política não esta aplicada apenas aos instituídos pelo voto, mas ao conjunto da comunidade. Ao contrario podemos esperar a repetição dos mesmos equívocos daqui um ano ou 20 anos, a verdade é que no futuro se repetirão.

Acredito que o caminho não e demonizar apenas um elemento, esquecendo-se dos demais que compõem o tecido social brasileiro, e como tal são responsáveis pelos problemas que a nação vem passando. Caso contrario poderemos arcam com um custo elevado no futuro, sendo assim necessário uma reflexão real do pais que queremos ,despida de protecionismo e privilégios tendo o futuro da nação como norte.

A verdade quando ouvimos que necessitamos de uma nova classe política temos que entender o que esta em questão é o modelo de representação política adotada no Brasil, que é a democracia representativa e o questionamento de modelo de representação torna-se nulo pelas ações dos eleitos, nesse caso sim temos que avaliar de que forma a sociedade brasileira esta organizada a ponto de colocar na arena política cidadãos que não conseguem defender o interesse coletivo mas sim estritamente o de alguns setores e seus próprios, o que não e saudável a democracia,nos remetendo a um novo tema de reflexão, como e em quem, esta votando o povo brasileiro?

Mas neste momento quero frisar que não existe nova classe política sem o amadurecimento da sociedade brasileira e sem a existência da percepção que vivemos uma democracia representativa, que o poder emana do povo e que os eleitos são um reflexo de nossa sociedade.

É relevante nos sentirmos participes do processo de eleitoral e como tal desenvolvemos papel relevante e de responsabilidade na construção de um país melhor.

Aloisio Nascimento é Cientista Político e Assistente Social

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