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Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu, chega aos 60 anos

21 de setembro de 2018
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Príncipe Charles e Lady Di foram alguns dos famosos que por lá se hospedaram

por Luciana Fróes, em O Globo

Na última quinta-feira, dia 20, músicos da Sinfônica de Londres tocaram Villa-Lobos, no cair da tarde, tendo como cenário nada menos do que as Cataratas do Iguaçu. Dá para imaginar esse espetáculo? Tudo isso para marcar os 60 anos do Hotel das Cataratas, a imponente construção colonial portuguesa, que já foi operado pela Tropical (extinta Varig), pela Orient-Express e mais recentemente pelo Belmond, mesmo grupo à frente do Copacabana Palace. Hoje, o Hotel das Cataratas recebe mais hóspedes do que o nosso emblemático Copa.

Trata-se do único hotel instalado dentro dessa reserva florestal de 170 mil hectares, de Mata Atlântica pura. Lá vivem 400 espécies diferentes de aves, 200 variedades de borboletas (as amarelas são incontáveis), cobras, jacarés-do-papo-amarelo, lagartos de até dois metros, macacos, os onipresentes quatis (alegres e esfomeados) e mais de 60 tipos de mamíferos e carnívoros, em que se encaixam os pumas e as onças-pintadas. E aqui um motivo para celebrar: de ínfimas nove onças-pintadas que viviam ali, a “população” pulou para 40 bichanos em menos de uma década. Tudo fruto de uma feliz parceria entre o hotel e a Fundação Chico Mendes, responsável pelo parque, que instalou câmeras na mata para o monitoramento dos animais.

Há três meses, a bela fêmea Atiaia foi flagrada dando à luz quatro saudáveis oncinhas pintadas. O pai é ainda desconhecido, mas os filhotes seguem bem cuidados pela mãe e pelos funcionários do parque. Para proteger os novos moradores e evitar riscos de atropelamento, placas anunciando a chegada dos filhotes foram espalhadas pelas estradas de acesso às Cataratas e a velocidade máxima caiu para 40 quilômetros. Todo o cuidado é pouco para um parque que, até dezembro, deverá receber três milhões de visitantes e, de outubro a dezembro, receberá nada menos do que 200 voos extras de várias procedências. É o aeroporto que mais vem crescendo entre todos os administrados pela Infraero.

Pelo casarão desde sempre cor-de-rosa, com 193 acomodações, já passaram o Príncipe Charles e Lady Di, o então primeiro ministro inglês Tony Blair, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, reis, rainhas, sultões…Mas o visitante ilustre que fez toda a diferença foi mesmo Santos Dumont, que pensou alto (como sempre) e voou longe com o seu imaginário: em sua viagem ao local, em 1918, quando o casarão era ainda sede de uma fazenda de café, o “Pai da aviação” sugeriu ao governo que comprasse e preservasse o bonito imóvel em plena Mata Atlântica e que fizesse dela um ponto para acomodações. E assim aconteceu. Foi só em 1958 que o Serviço de Patrimônio da União iniciou negociações para que a casa fosse gerida por redes hoteleiras. Começou pela Tropical, da Varig, mas, com os problemas financeiros da companhia área, o padrão do hotel acabou decaindo e por pouco o lugar não virou um museu. Em 2007, a poderosa Orient Express entrou em cena, reformou o imóvel (mais de 60 milhões investidos) e deu novo fôlego ao Cataratas, que nos próximos 20 anos será administrado pela bandeira inglesa Belmond. Na hot list da Condé Nast, lá está o Cataratas entre os 134 melhores hotéis do Planeta.

Se a sorte jogar a seu favor, pode ter noite de arco-íris lunar; a oncinha (de longe) dar o ar da graça; chefs como o português Ricardo Costa (Yeatman, Porto), o peruano Diego Queiroz ( Cantina Peruana, Lima), o francês Marion Monnier (La Table Marion) ou o paulista Jefferson Rueda (Casa do Porco) cuidar do seu apetite (cuidaram do meu) e até mesmo pode calhar de ouvir a Sinfônica de Londres interpretando Villa-Lobos a enxutos 1h40m de avião do Rio. E lá estando, muitas águas podem rolar…

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