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Programa Federal  “Melhor em Casa” tem disponibilizado leitos em Curitiba e permite tratamento em casa

31 de julho de 2019
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Aparecida Messias da Silva, de 71 anos, tem Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Por causa da doença neurodegenerativa, ela está acamada e precisa de ventilação mecânica para respirar. Com o atendimento especializado que recebe, consegue viver em casa, na bairro Uberaba, em Curitiba, perto da família. As informações são do G1.

A idosa faz parte do grupo de 2,9 mil pacientes atendidos pelo programa do governo federal “Melhor em Casa” executado pelo Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), da prefeitura, no 1º semestre deste ano.

A média foi de 485 atendimentos por mês, segundo a Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (Feaes).

Porém, o SAD tem capacidade para atender a 600 pacientes mensalmente. No mês de julho, conforme a gerente do SAD, Mariana Lous, 548 pessoas foram atendidas até o dia 29.

Aparecida ficou internada por três meses e meio em um hospital da capital antes de ir para casa e passar a ser atendida pelo SAD – o que acontece há um ano.

Semanalmente, ela recebe a visita de uma equipe multiprofissional formada por médica, enfermeira, técnicas de enfermagem e fisioterapeuta.

Por causa da ventilação mecânica, Aparecida tem dificuldade para falar, mas, não deixou de expressar que se sente mais feliz estando em casa.

Silvana é a cuidadora da mãe. Ter alguém assistindo ao paciente – de preferência em tempo integral – é uma das exigências para participar do programa, conforme explicou a gerente do SAD.

Treinamento
O SAD treina os familiares para fazer os procedimentos necessários em casa. No caso de Silvana, além de receber o treinamento do SAD, ela já tinha feito o treinamento para ser cuidadora.

Silvana contou com que a mãe se sente mais segura estando em casa. Para a família também é um conforto tê-la por perto, até mesmo por uma questão de logística e custos com transporte.

No hospital, obrigatoriamente, o idoso deve ter um acompanhante por 24 horas. Para isso, algum parente estava sempre se deslocando até o hospital. Estando em casa, facilita as idas e vindas. Silvana, por exemplo, mora perto da casa da mãe.

Aparecida tem cinco filhos. Silvana e a irmã Silmara dividem os cuidados com a mãe ao longo do dia. Os outros três irmãos se revezam para passar as noites com a idosa.

Silmara da Silva está grávida. A previsão é de que o bebê nasça nos próximos dias. Acompanhar a gravidez da filha de perto, que mora na mesma casa, é uma das possibilidades que o tratamento domiciliar permite. Depois do nascimento, Aparecida vai poder aproveitar a companhia da netinha.

Pacientes da alta complexidade
A enfermeira Graziella Holler é umas das integrantes da equipe que presta atendimento à Aparecida.

A profissional explicou que nos casos de pacientes chamados de alta complexidade, que são os que necessitam do aparelho de ventilação mecânica, a transferência do hospital ou da unidade de saúde para casa é por etapas. Atualmente, 17 pacientes do SAD são dependentes do equipamento.

Na primeira semana, as visitas são diárias para os pacientes de alta complexidade. Elas vão se espaçando na medida em que o quadro clínico do paciente fique mais estável e, então, se tornam semanais.

O aparelho que faz a ventilação mecânica e parte dos medicamentos são disponibilizados pelo SAD. Outros acessórios necessários podem ser obtidos por meio de doações. A cama hospital que a Aparecida tem em casa, por exemplo, foi doada.

Ao levar esses pacientes para casa, leitos de hospitais e Unidades de Pronto Atendimento são liberados para outros pacientes, de acordo com a gerente do SAD.

Critérios clínicos
De acordo com o Ministério da Saúde, este serviço funciona também em Cambé, Cascavel, Chopinzinho, Guarapuava, Londrina, Palotina, Paranavaí e Santa Terezinha de Itaipu.

Critérios clínicos são avaliados para liberar o paciente para o programa “Melhor em Casa”.

Geralmente, quando os pacientes estão internados e existe a possibilidade de receber o atendimento domiciliar, as famílias são orientadas por assistentes sociais e por profissionais do SAD sobre essa opção, como explicou Mariana.

“Se o paciente já está em casa, a família precisa ir até uma unidade de saúde para pedir pelo atendimento”, afirmou a gerente do SAD.

O recomendado é que os familiares procurem a unidade de saúde mais próximo ao local onde habita. Para participar, é preciso ser morador de Curitiba.

O programa é aberto para todas as idades. Porém, idosos são a maioria dos pacientes atendidos pelo SAD. Pessoas com mais de 60 anos representam 79% dos pacientes, de acordo com a Feaes.

Hoje, o paciente mais novo do SAD é um bebê de um mês e meio que nasceu prematuro e tem várias síndromes. Uma das mais idosas era uma mulher de 100 anos. Ela morreu em julho.

O Serviço de Atendimento Domiciliar
Segundo a Feaes, infecções e sequelas de doenças neurológicas são as principais causas de solicitações de acompanhamento pelo SAD.

Em média, os pacientes recebem atendimento por 45 dias. Esse período pode mudar de acordo com a necessidade de cada paciente.

Noventa e oito profissionais fazem parte da equipe do SAD. Além de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas, o SAD também conta com nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais.

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