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A ordem que não me representa

13 de junho de 2019
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Em reunião no Conselho Federal da OAB, advogados preocupados com os rumos da nação manifestaram nota pública indicando o afastamento do Ministro da Justiça e de Deltan Dallagnol, por áudios e mensagens ainda não apurados e nem divulgados oficialmente. Segundo a Constituição, o advogado é essencial à justiça – repito – JUSTIÇA, e nós operadores do direito somos os primeiros a defender a presunção de inocência dos nossos clientes, mas neste caso, curiosamente, os lordes sustentam o contrário.

Perdoem-me os colegas que pensam diferente, mas este tipo de manifestação não me representa e eu não autorizo a Ordem a falar por mim – justamente por viver em um estado democrático de direito! Não se trata de ir contra a instituição, mas de informar à cúpula que no direito não existe opinião e nem verdade absoluta.

Procuro acreditar que manifestações partidárias ou apaixonadas se restrinjam aos ringues congressistas e aos livros de romance, e a Ordem está muito acima disso. Repito, a nota pode ser pública, mas democraticamente não é unânime. Digo isto com a propriedade de quem respeita a instituição e paga rigorosamente os boletos que me permitem exercer a profissão.

A propósito, aproveito para aconselhar o Conselho a concentrar sua energia na defesa da nossa classe, quando somos desrespeitados no exercício da profissão, quando temos dificuldades em peticionar nas plataformas digitais, ou quando nos vemos desprestigiados por opiniões públicas equivocadamente emitidas. Diante do exposto, reafirmo: neste ato a Ordem não me Representa!

(*) Thiago Chamulera – Advogado, Mestre em Direito Constitucional e Membro da Comissão de Gestão Pública e Controle da Administração da Ordem dos Advogados do Paraná.

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