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As negociatas que atrasam o Brasil

2 de abril de 2016
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As negociatas que atrasam o Brasil(*) José Richa Filho

O Brasil está vendo, nesses últimos dias, uma das maiores danças de cadeiras nos comandos dos ministérios. Em nome da governabilidade, a presidente Dilma Rousseff está usando cargos e orçamentos como moeda de troca para tentar barrar o impeachment. Assim a gestão petista tenta dar um fôlego extra à presidência no meio desta crise. Mas os efeitos dessas medidas podem resultar em um grande retrocesso para o Brasil, com a paralisia de programas, parcerias e convênios firmados entre municípios, estados e a União.

Em nome de um projeto de poder, a presidência troca ministros, conforme o tamanho da bancada de apoio que os partidos podem lhe oferecer. Nessa negociata, fica de fora um dos fatores mais importantes: o perfil técnico dos indicados para cada pasta. E é aí que mora o perigo.

Hoje, em Brasília, o Paraná conta com uma série de demandas que estavam andando dentro dos ministérios, como nas áreas de infraestrutura, agricultura, saúde, educação, habitação, entre outros.

São projetos, pedidos, convênios e parcerias firmadas para atender os paranaenses, seja no campo social, econômico ou financeiro. E, com a atual incerteza, já há processos parando.

Na área de infraestrutura, o impacto desta medida já começa a afetar projetos de portos, aeroportos, rodovias e ferrovia. Há em Brasília, projetos que aguardam decisões governamentais, como a construção de nova ferrovia no Paraná e também melhorias em aeroportos municipais, anunciadas para 13 cidades paranaenses.

Vale citar, como exemplo, que há um arrendamento portuário, cujo processo aguarda autorização da Secretaria dos Portos. Isto resultaria em um investimento privado de mais de R$ 600 milhões no Litoral do Estado. Essa autorização está parada, em função desta crise, que pode resultar na troca de ministro – o sexto na gestão do PT, em menos de seis anos.

Caso haja mudança na Secretaria dos Portos, é provável que o processo demore mais. Será preciso levar em conta o tempo para fazer a nomeação do novo ocupante da pasta, assumir uma nova equipe, que vai precisar se ambientar sobre os temas portuários.

Com este cenário de mudanças, os estados e municípios serão obrigados a fazer uma nova via-crúcis à Brasília, levando de volta seus pleitos aos novos ministros, gastando em viagens e diárias. Tudo isto vai gerar atrasos, que vão atingir o Brasil exatamente neste momento de crise econômica.

E todo este esforço pode ser em vão, pois não há certezas de que a atual presidente consiga se manter no poder diante da pressão popular, que clama pelo impeachment. Se ela tiver que sair do cargo, é provável que ocorra uma nova dança de cadeiras. E de novo, voltamos a estaca zero.

Por isto, é preciso mudar radicalmente a forma de governar. É preciso reinventar o modelo de Estado no Brasil e acabar com esta velha política. Pois do jeito que está, como diria o professor e economista Belmiro Valverde Castor: o Brasil não é para amadores!

(*) José Richa Filho é secretário estadual de Infraestrutura e Logística do Paraná

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