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Presidente do STF, Ricardo Lewandowski precisa dar nome aos ‘golpistas’

14 de novembro de 2015
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LewandowskiFabioPozzebomABr2Josias de Souza

Numa palestra para universitários, em São Paulo, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, disse o seguinte: “Com toda a franqueza, devemos esperar mais um ano para as eleições municipais. Ganhe quem ganhe as eleições de 2016, nós teremos uma nova distribuição de poder. Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional.”

Com essas declarações, Lewandowski ecoou a pregação de Dilma Rousseff, de Lula e do PT, que enxergam na defesa do impeachment uma tentativa de golpe. Para o petismo, o discurso não é original. Em 2007, há poucos dias da sessão em que o STF decidiria sobre a abertura da ação penal do mensalão, José Dirceu entoou o lero-lero da “tentação golpista”.

No dia em que a denúncia da Procuradoria foi convertida em processo penal, Lewandowski foi o ministro que mais divergiu do voto do relator Joaquim Barbosa. Foram 12 divergências. Ele discordou, por exemplo, do acolhimento da denúncia contra José Dirceu e José Genoino por formação de quadrilha.

Terminada a sessão, Lewandowski foi jantar com amigos num restaurante de Brasília. A certa altura, soou-lhe o celular. Era o irmão, Marcelo Lewandowski.

O ministro levantou-se da mesa e foi para o jardim externo do restaurante. Para seu azar, a repórter Vera Magalhães, acomodada em mesa próxima, ouviu algumas de suas frases. “A imprensa acuou o Supremo. Todo mundo votou com a faca no pescoço”, disse. “A tendência era amaciar para o Dirceu”, acrescentou.

Houve quem enxergasse nas declarações do ministro a fala de alguém que tentara golpear, sem sucesso, o devido processo legal. Fizera isso sem dor na consciência: “Para mim não ficou tão mal, todo mundo sabe que eu sou independente”, disse, no fatídico telefonema. Deu a entender que, não fosse pela “faca no pescoço”, poderia ter divergido muito mais: “Não tenha dúvida. Eu estava tinindo nos cascos.”

O tempo passou. José Dirceu, depois de experimentar uma temporada na Papuda e outra em prisão domiciliar, está preso no Paraná, aos cuidados do doutor Sérgio Moro, o juiz da Lava Jato. E Ricardo Lewandowski, do alto da sua Suprema autoridade, voltou a sentir o cheiro da ameaça de “golpe institucional”.

Segundo disse aos universitários, um golpe desse tipo agora mergulharia o Brasil no insondável até 2018: “Estes três anos poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de trinta anos. Devemos ir devagar com o andor, no sentido que as instituições estão reagindo bem e não se deixando contaminar por esta cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros.”

Antes que alguém o flagre numa nova conversa telefônica, Lewsndowski talvez devesse dar nome aos golpistas —Hélio Bicudo?!? Miguel Reale Júnior?!? Se ficar apenas na insinuação, a plateia pode ser levada a concluir que o ministro está novamento “tinindo nos cascos”. O que não fica bem para um magistrado na sua posição.

Foto: Fábio Pozzebom/ABr

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