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Caso de assédio sexual seria motivo de greve e demissões na CBN

5 de agosto de 2013
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Quem sintonizar a CBN Curitiba – 90,1 FM – hoje (5) vai ouvir notícia de São Paulo. Isso porque os funcionários da emissora decidiram paralisar as atividades nesta segunda-feira. Diretores do SindijorPR estão, neste momento, em reunião com os jornalistas na própria CBN.

Os jornalistas informam que a paralisação exige “esclarecimento público a respeito da denúncia de assédio sexual, supostamente cometido pelo comentarista Airton Cordeiro (foto); esclarecimento da empresa aos funcionários em relação à saída do diretor de jornalismo José Wille; notificação à Rede CBN sobre caso de assédio sexual dentro da CBN Curitiba e os recentes desligamentos de outros jornalistas”.

A insistência dos funcionários em pedir providências à rádio teria sido o motivo da demissão José Wille, ainda na semana passada, e agora de Álvaro Borba e chefe de reportagem Marcos Tosi, que teriam se recusado a assumir novas funções na CBN Curitiba enquanto a emissora não afastasse Cordeiro.

Segundo informações, a direção nacional da CBN estuda uma intervenção na parceira curitibana.

(Com informações do Sindjor e do jornalsita Dary Jr.)

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16 Comments

  1. tomara que passem a limpo esta situação. vai fiar bem feio se for lono em pele de cordeiro.

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  2. Temos que acabar com a hipocresia neste país. E os que acobertam as ilegalidades devem ter punição igual ou superior a deste grande hipócrita.Depois de velho fica só mais nojento , mas aposto que sempre foi um sujeito sem carater nenhum.

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  3. Provas , primeiro provas e não crucificar ninguém, chamando-o de velho babão. Inquisição já passou. Julgamento com ampla defesa e depois falarmos do assunto.

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  4. No Brasil, a condenação precede o julgamento e, via de regra, auxiliada pela própria mídia. Concordo com o Ivo. É preciso que haja primeiro julgamento – baseado em prova obviamente, para somente depois condenarmos alguém!!!

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  5. Minha gente, o Airton fala umas verdades de tantos políticos, pode muito bem um desses ter pago para essas estagiárias fazerem a denuncia, para queimar sua reputação, vamos esperar para ver as provas antes de julgar. Não sejam cegos em relação com que a imprensa joga de notícias tem muitos interesses por trás.

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  6. O leigo não deve entender de cláusula pétrea, mas se lê na Constituição “aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Esse princípio só pode ser extinto por uma revolução. Raras vezes tivemos uma violação tão brutal a esse princípio como no caso de Airton Cordeiro. Seus colegas da CBN, comandados por José Wille, com jeito de papa, instituíram uma nova versão do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição. Sem permitir um único gesto de defesa, jogou-se Airton Cordeiro na fogueira, queimando-o publicamente,
    ”Tosi deu o seguinte Testemunhal: “Foi meu melhor professor de jornalismo na Universidade Federal do Paraná; tive o privilégio de fazer ‘residência’ com ele pelos últimos 16 anos.”
    bom se o Airton cordeiro e culpado ou inocente quem tem que decidir isso é a justiça ñ um grupo de jornalista pois se for assim para que existe o ministério publico, ou vamos retroceder ao tempo de ditadura, vamos fazer a coisa certa e ouvir as duas partes, em falar em duas partes o Airton cordeiro assediou moralmente ou sexualmente metade da rádio e quase todos os ex funcionários pois eo que o parece quando vemos as matéria que vejo por ai pois ñ vi uma tentando falar com o Airton cordeiro para ouvir sua versão, ou as pessoas que disseram que foram assediadas, e so aquela coisa de que… ah eu ouvi dizer que ele assediou a estagiaria, ah eu ouvi dizer que ele assediou uma secretaria é eu ouvi dizer que ele assediou a chapeuzinho vermelho, ele assediou o et e ai vai poxa pera ai quem foi assediada, se foi porque ñ foi na delegacia da mulher, existe lei para isso agora de repente o wille faz uma INVESTIGAÇÃO e de repente vaza isso para a imprensa ele é do ministério publico ou agente federal, ou civil para investigar um colega e dentro da empresa que trabalha, ta mau contada essa historia, todos os que pedem demissão são amigos ou ex alunos do wille, o que tem de concreto em termos de prova contra o Airton cordeiro, é assim que funciona a justiça com provas concretas, ñ com disse que me disse.

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  7. Estagiária da CBN relata assédio sexual
    26/08/2013
    Estagiária da CBN relata assédio sexual;

    A estagiária de jornalismo da Rádio CBN Curitiba, Mariana Ceccon, registrou boletim de ocorrência contra o jornalista Airton Codeiro. O registro foi realizado na Delegacia da Mulher (B.O nº 2013/816957) e deve iniciar um processo de investigação. Ela também disponibiliza um relato sobre os acontecimentos (ao final).

    Cordeiro é acusado por casos de assédio sexual no ambiente de trabalho. Em uma carta a estudante relata o que enfrentou. O caso já havia vazado pelas redes sociais no começo deste mês. A gerência da emissora havia sido informada, mas não tomou atitude, o que causou uma paralisação dos jornalistas da rádio no dia 5 deste mês. Três deles se demitiram em protesto: José Wille, diretor de jornalismo; Marcos Tosi, chefe de reportagem e Álvaro Borba, âncora.

    Os jornalistas que se demitiram haviam investigado o caso, ouvindo cinco vítimas, entre estagiárias, telefonistas e secretárias. Os depoimentos foram registrados, na época, e encaminhados à direção da empresa. O Sindijor acompanha as investigações e encaminhará o relato ao Conselho de Ética da entidade para análise.

    Confira a íntegra da carta publicada pela estudante:

    “Em vista da enorme pressão a que venho sendo submetida nos últimos meses creio que não é mais possível ficar quieta sobre este assunto. Primeiro eu gostaria de deixar bem claro que em hipótese alguma eu gostaria que este caso viesse a público. Primeiro pela imensa humilhação, segundo por vergonha em olhar para as pessoas e por último pela inocente crença de que assuntos corporativos podem ser resolvidos dentro da empresa. Acontece que trabalhando em uma rádio nada do que acontece pode se manter por muito tempo em silêncio. Agora vejo meu direito de “ficar calada” ser completamente anulado quando pessoas me mandam mensagens perguntando se a tal estagiária sou eu, quando meus colegas me olham estranho, além de ler, ouvir, centenas de versões para uma história que sei que só eu posso dar um basta.

    Em setembro completarei 6 meses de estágio na CBN Curitiba. Como muitos sabem eu adoro trabalhar lá. Meus colegas sempre me trataram bem, nunca como a “estagiária”, me passaram conhecimento, respeitaram-me como profissional desde o início. Tanto que eu tive a oportunidade de ajudar a produzir o programa, editar e nos últimos meses tive o privilégio de ajudar na construção do jornal de dentro do estúdio. Foi lá que eu pude conhecer melhor como funciona a programação e conheci pessoas que eu admiro muito.

    Também no estúdio pude trabalhar com o comentarista Airton Cordeiro, uma pessoa que sempre respeitei pela história na imprensa paranaense. Nos primeiros dias de estúdio tratei o Airton como trato um tio avó. Ele me pedia para atender seu celular durante o programa e para ajudar com coisas no computador como, por exemplo, anexar e imprimir arquivos. Até então ele nunca havia me faltado com respeito.

    No fim de junho começaram as baixarias. Dentro do estúdio, durante os intervalos, o Airton começou a fazer piadas de péssimo gosto sobre o Caso Tayná, sobre política, sempre usando termos de baixo calão. “Quer dizer que ninguém quis comer a buceta dessa tal de Tayná?” Ninguém respondia, às vezes forçavam um sorriso amarelo ou como no meu caso, levava na “esportiva” porque afinal eu sou a estagiária e aquele é o Airton Cordeiro! A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco e não seria eu que criaria caso.

    No começo de julho um deficiente visual telefonou para rádio fazendo perguntas sobre como é o estúdio, etc. Depois de desligar o telefone relatei a ligação para todos e o Airton perguntou em alto e bom som: “Por que você não disse para ele vir aqui pegar na sua buceta e ver como é molhadinha?” Naquele momento eu fiquei chocada, como todos. Eu respirei fundo 1,2,3 vezes, mas decidi não falar nada a não ser um “vou falar para pegar no seu nariz Airton!” Brincadeiras… Brincadeiras de um babão.

    Um ou dois dias depois Airton estava se despedindo de todos. Ia para Disney com a família. Naquele dia ele estava fazendo piadas horríveis com nome de entrevistadas, falando baixarias como nunca. Durante o programa ele se aproximou da minha mesa, como quem quer olhar alguma coisa no monitor do computador. Abaixou-se, tirou os cabelos do meu ombro e disse: “Eu estou morrendo de tesão em você e ainda vou te montar, você vai ver”. Estou relatando exatamente as palavras que ele me disse não porque eu queira ou esteja confortável para falar sobre isto, mas sim porque não aguento mais ouvir coisas do tipo: “ahh o velho tá no fim da vida, foi lá fez um galanteio e todo mundo tá fazendo esse escândalo”, “Ah o cara passou uma cantada e já levam para o lado do assédio”. E para deixar bem claro de uma vez por todas que o Airton não me fez nenhum elogio. Ele me tratou como um animal.

    Ele falou isso e eu não fiz nada. Não respondi nada. Por muito tempo eu fiquei me sentindo um lixo por causa disso. Quando tomei coragem de contar, todo mundo me dizia: “Nossa se fosse comigo eu tinha enfiado a mão na cara… Nossa e você não falou nada?”. Não, eu não falei nada. Eu sempre imaginei que se algo desse tipo acontecesse comigo eu enfiaria a mão na cara do sujeito. Mas não enfiei. Fui só vomitar. Não posso descrever ao certo o sentimento. Você se sente tão humilhado, tão lixo humano, que não arranja força alguma para responder. Você tem vontade de se esconder e se sente suja. Não quer falar pra ninguém. E no segundo seguinte ele falou que estava indo viajar com a esposa, netos, filhos para a Disney comemorar os 50 anos de casado. Como alguém pode ser tão dissimulado?

    Naquela sexta eu fui embora com a sensação física de que ia vomitar a qualquer minuto. Não queria ver meu namorado, nem meus pais. Decidi que apesar de amar trabalhar na rádio eu não ia mais voltar pra lá. Não queria mais ver aquela pessoa.

    Na segunda-feira, logo que cheguei à rádio, um dos meus colegas me chamou para tomar água. Eu não sabia, mas as “piadas” do Airton tinham vazado. Foi durante esta conversa que eu descobri que o Airton fez isso comigo, mas fez coisas muito piores com tantas outras funcionárias. Se eu não desse um basta ele só iria mais longe como já havia feito antes. Tomei coragem e contei para este mesmo colega que o Airton já havia me assediado e que não sabia o que fazer.

    Com medo de a situação piorar e mais enojada ainda achei melhor conversar com o Álvaro Borba também. Relatei as palavras exatas que o Airton tinha me dito na sexta-feira e que eu não trabalharia mais lá. O caso foi passado para os superiores que pouco a pouco foram sabendo de tudo que aconteceu comigo e com as outras mulheres.

    Recebi total apoio dos meus colegas diretos. Com o passar dos dias, o Airton bem longe de férias, fui me acalmando e aceitando a situação. O Wille me procurou, pediu desculpas em nome da CBN e garantiu que ia levar o caso diretamente para o alto escalão. Isto porque o diretor-geral da rádio é amigo pessoal do Airton e o maior medo era que o caso fosse abafado ou contornado sem as devidas providências. Neste meio tempo o Wille recebeu relatos de outras funcionárias e ex-funcionárias da rádio ficando cada vez mais irritado. Inclusive casos que passavam do plano verbal. Passadas de mão, intimidações, ofertas de dinheiro para levar funcionárias a motéis. Todas em mulheres que ele provavelmente considera estarem em posições inferiores dentro da empresa e vulneráveis.

    Eu depositei todas as minhas esperanças de que o caso seria resolvido ali. Sem exposição, sem mais estresse. Até o dia em que a história vazou para fora. Em uma manhã eu vi a internet explodir em cobranças, piadas e vexames. Meu nome não estava ali, mas todo dia, desde o dia 18 de julho eu sofro um novo tipo de assédio: assédio moral. O mundo realmente é feito de um nojento machismo.

    Não vou ficar aqui pregando ideologias feministas, mas depois de toda a situação que eu havia passado, abrir o Twitter e ver coisas do tipo “na capa da playboy de julho, a estagiária que revelou Airton Cordeiro revela tudo pra você”, “Airton Cordeiro comendo muito as estagiárias da CBN Curitiba”, “Imagine as quengas que trabalham na rádio”. Isso foi pior do que o próprio Airton. Todo mundo que me conhece o mínimo sabe o quanto eu luto e me esforço pra fazer minha carreira eticamente. E isso é a pior coisa que pode acontecer com alguém que tenha esses princípios. É ser exposta publicamente, como se eu estivesse querendo “tirar uma grana, ter 5 minutos de fama” ou pior, como eu já vi, “dado motivos” para que ele agisse assim.

    Acho que ninguém que escreveu estas coisas ou vazou a história me conhece bem. Mas eu gostaria de dizer que vocês são tão ruins ou piores que o próprio Airton Cordeiro. Alguns podem achar tudo isso muito natural, podem achar que é coisa de uma pessoa senil. Mas não, não é. Isso não é normal. Imaginem se isso acontecesse com sua esposa, sua filha ou sua mãe e centenas de pessoas ainda julgassem a índole de quem você quer bem.

    Com as coisas em níveis impraticáveis o José Wille levou a questão para a empresa. Eu não sei detalhes da reunião, a única coisa que me disseram foi que as gravações com os relatos de assédio foram mostradas. Com a omissão da chefia, o José Wille pediu demissão. Encarei meus colegas um a um com um sentimento de culpa. Apesar de não ter “cavado” a situação eu era a pivô.

    As atenções estavam voltadas para a casa. Todos os funcionários queriam uma reunião, uma palavra dos líderes da empresa. Queriam a garantia de que apesar da amizade, o diretor-geral não deixaria que o Airton voltasse, nem em 2 dias nem em 2 anos. Queriam algo por escrito. O próprio Álvaro chegou a escrever uma nota pública que foi levada até a direção frisando o fato de que o Airton não voltaria. Mais uma vez eu não sei os motivos, mas a tal retratação não foi assinada.

    A única coisa que eu sabia é que o Marcos Tosi tinha reunido testemunhos dos assédios que o Airton havia cometido. Inclusive eu mesma prestei depoimento. Mas, como o próprio Tosi divulgou em sua página no Facebook, “Infelizmente, como na antiguidade, o mensageiro da má notícia pagava o preço com a vida”. Até onde sei, documentar estes fatos não foi nem um pouco bem visto. Tosi sofreu o famoso “gelo” e devido a esta situação decidiu também sair da rádio.

    Foi no dia 5 de agosto. O Tosi anunciou a demissão no começo da manhã. Em meio ao alvoroço o Álvaro chegou igualmente transtornado. Sem pronunciamento da direção, com biografias em jogo, o Álvaro não pensou duas vezes. Saiu pela porta e não voltou mais.

    Sou grata à atitude do Wille, mas como eu disse só falei com ele uma vez. Nunca tive a oportunidade de contar a ele como eu estava me sentindo ou pensando, então espero que este texto possa suprir esta falta.

    Quanto ao Álvaro e ao Tosi, eu não tenho palavras. Todos na rádio perderam não só o âncora, o chefe, mas grandes amigos. E digo isso não porque os dois eram meus amigos fora da rádio ou porque tivemos convivência fora do ambiente de trabalho (nunca os vi, nem de longe sem ser dentro da rádio). Digo isso porque foi a sensibilidade do Tosi ao abordar o assunto, as vezes que acabei chorando e que ele soube escutar que me fazem o considerar um amigo. O Álvaro considero igualmente um amigo por ter segurado a barra na linha de frente. Pelas conversas, apoio e orientações. Pela sensibilidade em proteger meu “início de carreira”, minha integridade e meu nome como até hoje o estavam fazendo.

    Não estou escrevendo essas coisas para rasgar seda e sim para colocar os pontos nos “is”. Não tive a oportunidade de falar com todos os meus colegas sobre isso, então espero que estas palavras cheguem a todos e esclareçam de fato o que aconteceu.

    Com a perda de 3 âncoras e sem uma palavra oficial, os funcionários da CBN entraram em greve. O holofote estava apontado para a rádio, notícias em vários jornais, até de circulação nacional. A bomba explodiu. Veio a nota pública da direção, mas ainda choveram informações desencontradas.

    Espero que esse texto também venha reparar a culpa que sinto por ter abalado todos os funcionários, sem exceção. Sei, e muitos já me falaram e deixam todos os dias claro que a culpa não é minha. Mas apesar de desejar, eu não consigo aquietar meus pensamentos com isso. Eu sei que esta história não só tirou o trabalho de 3 pessoas e prejudicou suas famílias, como eu sei também que os outros que ficaram foram igualmente prejudicados com a alta carga de trabalho, responsabilidade e estresse. Em poucas horas repórteres tiveram que assumir a produção, apresentação, chefia e se desdobrar em vários turnos. E o pior, ter de lidar com a sempre ferrenha crítica dos ouvintes.

    Não dá para culpá-los. O ouvinte tão acostumado as vozes familiares, da noite para o dia foi privado da rotina de escutar o programa. E com isso também espero me desculpar com todos os 13 ouvintes que só eu atendi e não pude dizer isto, aos incontáveis que mandaram email, manifestaram-se pelo Twitter ou pelo Facebook da empresa. Eu sei que nenhum de vocês precisa pagar por esta história, mas “todos estamos trabalhando em triplo pra garantir a qualidade na programação”. Não é só demagogia.

    Na segunda não fui trabalhar. Mas terça tomei coragem, lavei o rosto e encarei meus colegas. Não porque eu sentisse que estava devendo alguma coisa para a empresa e sim porque eu estava devendo alguma coisa para os meus colegas que estavam tocando o jornal, acreditem, em 4 pessoas! Uma produtora, um apresentador, uma repórter e um operador de som. Duas horas e trinta minutos de programa.

    Fui e continuo indo trabalhar por esta razão. Sinto que o mínimo que eu posso fazer é dividir a carga comigo também e ajudar as pessoas que não podem largar os trabalhos ou que não estavam diretamente envolvidas no conflito, mas que estão pagando o alto preço.

    E, por fim, é hora de tornar público porque é uma tentativa de me sentir menos humilhada e envergonhada. Está na hora de encarar as coisas de frente e assumir de uma vez por todas que sim isto aconteceu comigo. Aconteceu com várias mulheres e passar adiante a lição de que assédio sexual não é sobre sexo. É sobre poder.

    Ainda temo pelas consequências desse episódio. Tenho medo do que isto pode significar para a minha carreira. Tenho medo de que me associem a isto por muito tempo não importando o quanto eu me esforce para fazer com que os méritos sejam maiores do que a polêmica. Tenho medo de que isto cause mais ira nas pessoas “poderosas” atingidas e de que isto me prejudique de alguma forma física, jurídica ou profissional. Tenho medo de como meus amigos e familiares vão reagir.

    Mas eu tenho o dever de escrever isso não porque quero ser uma “bandeira do feminismo”, mas porque não quero que esta história vire algo do tipo: “isto foi um complô contra mim, ninguém prestou queixa, não há provas”. Por respeito a todos os meus companheiros de profissão, da rádio e também os que eu nem conheço. Por respeito, julgo ético não me calar agora. Estou ouvindo muitos murmúrios, ‘disse que não me disse’. E sei que eu sou a única pessoa que pode relatar o que aconteceu verdadeiramente, por que só eu tenho o direito de me expor desta forma, aguentando as consequências desta exposição.

    Chega de boatos, piadas de mau gosto e colunistas defendendo o Sr. Honra e Moral. Honra, moral, ética e profissionalismo são o que fazemos no nosso dia a dia. Se hoje eu não durmo bem é por culpa do sofrimento que isto causou a todos. Mas e o Sr. dorme bem? Põe a cabeça no travesseiro tranquilo? Você olha para a sua esposa, 50 anos casado e não sente nenhuma ponta de remorso? Ou no fundo você acha que essa canalhice é “um sorriso”? O que você VERDADEIRAMENTE fez é repulsivo e caso de polícia. Sinto nojo por mim e mais nojo ainda pelas coisas que você fez com mulheres que não podem e não querem falar, porque tem medo que isto prejudique profundamente suas vidas, mais do que você já prejudicou.

    Poderia te desejar um processo bem dado, polícia, inquérito e tudo mais. Mas o que eu posso desejar que fosse pior do que você deve estar vivendo? Pode ter a certeza de que apesar de achar que a justiça não será feita por vias legais eu acredito que de alguma forma você vai pagar por essa canalhice. Pode ser no âmbito criminal, trabalhista, sindical, ou seja lá o que for. Eu não tenho a defesa de grandes escritórios de advocacia, não sou ex-deputada federal, mas a verdade e a vergonha na cara já me bastam.

    Se você dorme bem e com a consciência tranquila, muito bom para você. Mas não existe nada pior para um jornalista do que ter a credibilidade suja, a honra julgada e a moral extirpada. E aqui vou parafrasear o Álvaro. “Biografia, a gente só tem uma…” O que vão escrever na sua?”

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  8. Li a matéria e uma coisa é certa…já trabalhei em outras empresas e vi que na maioria delas o assédio sexual acontece e é velado. Muitas vezes o assédio é de forma branda,você acaba “deixando quieto”, infelizmente a nossa sociedade é machista, sim!
    Agora o caso do Sr Airton Cordeiro é muito “pesado”, pois pelo relato da moça, ele nem fazia questão de falar as barbaridades longe da equipe de trabalho. Espero que esse caso sirva de exemplo para muitos homens, que se acham em posição de cometer tal falta de respeito não só com a pessoa “alvo”, mas com a empresa que trabalha, com a sua família e ele mesmo!Desejo força para as meninas e que a justiça seja feita.

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  9. Esse velho arrogante nunca me enganou. É do perfil desse tipo de gente fazer essas coisas, achar que pode tudo… Pra mim, mais do que merecido, e que arda no inferno sentado no colo do capeta!

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  10. O cara tá na idade de pegar no Rosário, queria ver se fosse com a esposa dele ou a filha isso é reflexo que acontece em todo pais e em especial em Brasília. IMPUNIDADE

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