Ademar Traiano artigoQuem acompanha a trajetória do PT, e de sua militância, há muito se deu conta que existe um clima de mundo paralelo entre seu discurso e sua prática. Condenados por crimes contra o erário podem ser saudados, desde que não quebrem a lei do silêncio, como “heróis do povo brasileiro”. Evidências esmagadoras de corrupção tendem a ser apontadas como resultado de nebulosas conspirações direitistas.

O divórcio com a realidade e as fábulas alopradas permeia todo o discurso petista. A ruptura se acentua quando confrontados com a disparidade que existe entre a prática, de resultados desastrosos, e rapina gananciosa, com a prédica de sucessos memoráveis e preocupação exclusiva com os desvalidos. Ninguém supera Lula na capacidade de emitir disparates retóricos com uma tranquilidade que só costuma beneficiar os justos e os insanos.

“Esse país teve um homem chamado Tiradentes, que ousou começar a organizar o povo para lutar pela independência do Brasil. E resolveram matar esse cara. Mataram o cara, esquartejaram o cara, salgaram a carne dele e penduraram no poste, pra ninguém esquecer. O que aconteceu de verdade? O fato de você matar a carne não significa que você matou as ideias. E as ideias de independência desse país continuam”, disse Lula, dias atrás. E complementou, como se o paralelo bizarro entre ele, acusado de corrupção, e o mártir, que morreu pobre, sem tríplex, sítio, ou previdência privada milionária, fizesse todo o sentido: “O PT é imortal”.

Aprofundando o delírio, em que se vê, não só como figura providencial, mas também essencial, Lula se refere à possibilidade, cada vez mais próxima, de sua punição com privação da liberdade, como uma ameaça a “204 milhões de habitantes desse país”. O ex-presidente parece acreditar que o destino do país está amarrado ao seu e só ele, ninguém mais, pode prover nossa redenção. Um discurso mais adequado a Canudos, de Antônio Conselheiro, no Século XIX, que ao Brasil que ingressou, graças principalmente as façanhas do PT, com passos trôpegos no Século XXI.

Muito menos prolixa, e muito mais exata, é a análise do economista e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Depois de prever que mais uma guinada populista seria um desastre tremendo para o país, fulminou: “Se Lula for candidato, vai voltar ao mesmo padrão de mentiras e promessas de antes. Ele declarou outro dia que nunca o Brasil precisou tanto do PT quanto hoje. Para quê? Para quebrar de novo? Para enriquecer todos esses que estão aí mamando há tanto tempo? Acho que a campanha vai ser de baixíssimo nível.”

Ademar Traiano é presidente da Assembleia Legislativa e presidente do PSDB do Paraná