RIO DE JANEIRO, RJ, 31.01.2017: EIKE-BATISTA - O empresário Eike Batista chega à sede da Superintendência da Polícia Federal, na praça Mauá, onde prestará depoimento sobre as acusações de pagamento de propina a políticos, reveladas pela Operação Eficiência. (Foto: Reginaldo Pimenta/Raw Image/Folhapress)

A defesa do empresário Eike Batista está preparando os anexos de uma possível delação premiada em que citará o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Guido Mantega e o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). As informações são da Folha de S. Paulo.O empresário afirma que quer colaborar desde a sua prisão em janeiro –ele está atualmente em regime domiciliar. Mas procuradores da força-tarefa fluminense têm mostrado pouco interesse nas informações iniciais apresentadas pelo empresário. O objetivo, agora, é tentar fechar na Procuradoria-Geral da República.

Em relação a Lula, Eike deve relatar lobby feito pelo ex-presidente em favor de sua empresa, como informou “O Estado de S. Paulo” e confirmou a Folha. O empresário tem dito que o petista não recebeu propina pela defesa de seus interesses.

Contudo, o empresário vai detalhar informação que já prestou à Lava Jato, sobre o repasse de R$ 5 milhões ao marqueteiro João Santana para quitar dívidas de campanha do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Ele já depôs sobre o caso no ano passado em Curitiba.

Em relação a Cabral, Eike deve confirmar a propina de US$ 16,5 milhões pagas no exterior –repasse que o tornou réu na Justiça Federal do Rio.

O empresário também pretende detalhar o empréstimo de seu jato ao ex-governador, bem como outros favores dados ao peemedebista em troca de boa relação para execução de seus negócios.

A defesa de Eike está reunindo informações de executivos e ex-funcionários do grupo EBX para apresentar à PGR.

No Rio, ele enfrentou resistência de procuradores por, na análise do MPF, ter mentido sobre o repasse de R$ 1 milhão ao escritório da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo.

Em depoimento espontâneo à força-tarefa, disse que a banca havia sido indicada pela Caixa Econômica Federal, parceira da REX num empreendimento imobiliário. O banco negou a informação.

O rumor sobre delação se intensificou após o segundo adiamento de seu depoimento na Justiça Federal no Rio. O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio, já postergou em outras ocasiões depoimento de réus ou testemunhas para que as negociações sobre delação fossem finalizadas.

Inicialmente prevista para ocorrer nesta sexta-feira (14), o depoimento de Eike ocorrerá apenas no dia 31. Cabral falará no mesmo dia.