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Reportagem do Valor Econômico revela verdadeira face de Arno Augustin

13 de dezembro de 2015
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Data: 06/05/2011 Editoria: Financas Reporter: Luciana Otoni e Ribamar Oliveira Pauta: Ping com o secretario do Tesouro Nacional Personagem: Arno Augustin, Secertario do Tesouro Nacional. Foto: Ruy Baron/Valor

O ex-secretário do Tesouro Nacional Arno Augustin é um velho conhecido dos paranaenses. Foi ele o responsável por criar barreiras e impor dificuldades para que o estado tivesse acesso a empréstimos internacionais e recursos da União que eram de direito e foram liberados a todas as outras unidades da federação.

Para justificar sua posição, Augustin evocava uma série de miudezas burocráticas. Quando o estado conseguia uma determinada certidão, a Secretaria do Tesouro pedia outra, em claro descompasso com o que ocorria no resto do Brasil. Em sua cruzada, Augustin chegou a descumprir uma decisão judicial e só liberou os recursos para o Paraná depois de ter sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta sexta-feira (11) Augustin é o personagem principal de uma matéria reveladora do jornal Valor Econômico. A reportagem mostra como o ex-secretário ignorou dezenas de alertas do corpo técnico da Secretaria do Tesouro que antecipavam o desastre fiscal que vinha sendo construído no primeiro governo Dilma. Mais do que isso, o Valor Econômico revela que foi Augustin um dos mentores da “contabilidade criativa” do governo federal, contabilidade esta que resultou nas pedaladas fiscais, na reprovação das contas de Dilma pelo Tribunal de Contas da União e no rebaixamento da nota do Brasil pelas agências de risco.

Alertado da gravidade de suas ações em reuniões formais com sua equipe, Augustin reagia de duas formas: com ataques coléricos em que tratava os avisos dos subordinados como “motim de rebelados” ou simplesmente ignorando qualquer alerta.

Diz a matéria: “A pauta do encontro tinha cinco itens. O primeiro ponto de preocupação era o risco de ‘downgrade’ e seus impactos. Os seguintes, a política fiscal e suas consequências; a imagem do Tesouro; e o aperfeiçoamento de processos internos. Por último o ‘relacionamento interpessoal’, uma forma de se referir às explosões pelas quais o secretário Arno Augustin era evitado por sua equipe.”

Augustin também é descrito na reportagem como “um soldado”, um “cumpridor de tarefas” do governo Dilma. “A presidente decidia e ele entregava”, descreve uma autoridade entrevistada pelo Valor. O jornal também revela que a grande parceira de atuação de Augustin no governo federal era a ex-ministra Gleisi Hoffmann.

O dado que mais chama a atenção na reportagem é atuação de duas faces do ex-secretário. Com o Paraná, Augustin se mostrava um administrador exageradamente zeloso, um ferrenho guardião da chave do cofre, mas, no geral, o quadro era bem outro. Diz o Valor: “A generosidade do Tesouro nesse período foi marcante. Um ex-secretário de Fazenda relatou ao Valor como levou uma bronca de seu governador por ser “conservador” nos pedidos de empréstimo. A estratégia do governador, ao chegar ao Ministério da Fazenda para reunião com Mantega, era pedir o dobro do necessário, prevendo que o Tesouro iria regatear o valor. Terminado o encontro veio o puxão de orelha ao secretário: “Você é um bobo! Eu pedi o dobro e eles liberaram quase o triplo!”, diz a reportagem.

Foto: ABr

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